A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 18/02/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em seu artigo 6°, o direito a educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a realidade brasileira quanto o analfabetismo digital, fato que tem se mostrado preocupante no cotidiano da sociedade brasileira. Dentre tantos fatores relevantes acerca desta discurssão, destacam-se a negligência governamental e pouca instrução tecnológica. Dessa maneira, medidas mais arrojadas do Poder público e da sociedade civil são essencias para solucionar essa problemática.
Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a falta de acesso a internet por grande parcela da população. Nesse sentido, de acordo com uma pesquisa feita pelo Institudo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1 em cada 4 pessoas não tem acesso à internet. . Isso mostra um cenário negativo a respeito da difusão do alfabetismo digital no Brasil, isso evidencia que grande parcela populacional não tem o quesito básico para combater a falta de acesso a rede informacional. Desse modo, faz se mister uma urgente mudança na postura estatal para reverter esse quadro lastimável.
Ademais, é fundamental apontar que grande parte dos jovens recebem pouca instrução tecnológica em suas escolas, visando que muitos só terão o sistema de ensino como único meio de acesso as redes de internet - pois possuem baixo poder aquisitivo. Nessa perspectiva, de acordo com a pesquisa da Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), 81% das escolas públicas possuem laboratórios de informática, mas somente 59% deles são usados. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o acesso à educação de qualidade , o que infelizmente é evidente no país. Destarte, faz se necessário uma mudança no âmbito educacional para combater este aspecto.
Depreende-se, portanto, a necessidade de resoluções estratégicas para combater este obstáculo. Para isso é impresscindível que o Governo Federal, por intermédio do Minstério da Educação e Tribunal de Contas da União, promovam programas que levem admissão de internet e educação informática aos locais mais remotos do Brasil - criando escolas de ensino informático básico para jovens e adultos sem acesso a rede - a fim de alfabetizar tecnologicamente grande parte da população afetada por esta problemática. Assim, torna-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Magna Carta.