A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 21/02/2021
A Constituição brasileira de 1988, também conhecida como Constituição Cidadã, compromete-se com o acesso à informação e plena cidadania no país. Entretanto, tal garantia é deturpada, visto que a ques-tão do analfabetismo digital é pertinente à sociedade. Esse cenário nefasto perpetua não só a dissemi-nação de notícias falsas, mas também a marginalização das vítimas desse legado perante ao corpo social. Diante disso, faz-se necessária a análise dessa conjuntura com o intuito de mitigar esses impas-ses que são, no mínimo, constitucionalmente destoantes.
Em primeira análise, vale ressaltar que a educação digital é inerente ao combate às notícias que não condizem com a veracidade dos fatos, pois, uma população que não reconhece o dever de desconfiar dos materiais que consomem, principalmente na internet, pode ser facilmente enganada. Sob essa ótica, Anthony Giddens, sociólogo contemporâneo, mediante o livro Mundo em Descontrole, afirma que o indivíduo é influenciado pelas estruturas do cotidiano. Sendo assim, torna-se claro que, na ausência de agentes que possam filtrar dados e sanar dúvidas dos cidadãos no mundo digital, a desinformação é presente no quadro social.
Ademais, é válido destacar que as mídias digitais podem ser ótimas ferramentas de inclusão social e política, tendo em vista que esse meio, muitas vezes, gera visibilidade para diversas opiniões. No entanto, devido ao analfabetismo digital no Brasil, há pessoas que são privadas desse uso saudável e de caráter cidadão que ainda precisa ser democratizado. Dessa forma, é possível relacionar tal proble-mática com a Dialética Hegeliana, proposta por Hegel no séc. XVI, na qual o filósofo iluminista relata que somente com a total inserção do povo no embate de ideias -Nova Ágora-, uma sociedade igualitá-ria é edificada. Com isso, evidencia-se que a deficiente inclusão das pessoas nas tecnologias digitais demonstra a frágil garantia da cidadania no país.
Portanto, para que as ideias de Giddens e Hegel não sejam apenas proposições teóricas, mas tornem-se realidade, urge ação do Governo. Nesse sentido, o Ministério Público, em parceria com o Ministério da Educação, deve, por intermédio de aulas, com horários flexíveis, de informática em escolas públicas, criar fóruns de discussão acerca de notícias veiculadas na internet com o fito de elucidar possíveis dúvidas e, sobretudo, ensinar a população a filtrar fontes e postagens nas redes sociais. Além disso, cabe ao projeto supracitado estimular o exercício cidadão durante a era digital, fazendo com que todos possam, de certa forma, participar de conversações e, claro, embate de ideias nesse mundo. Dessa maneira, o Estado estará, certamente, atuando de acordo com o que previsto em 1988 pela Constituição Cidadã.