A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 22/02/2021

Na série norte-americana de streaming “Cobra Kai”, o personagem principal Johny Lawrence, um instrutor de artes marciais, representa as dificuldades de um homem mais velho em lidar com as mudanças globais. Com isso, é narrada a primeira vez que o professor entra em contato com um computador, sendo de extrema confusão para o mesmo ligar o aparelho. Infelizmente, fora da ficção, a sociedade brasileira mostra impedimento semelhante que, mesmo com avanços digitais, não pode desfrutá-los por descaso governamental.

Sob tal ótica, é inquestionável que o desenvolvimento do conhecimento científico reestruturou as atividades diárias. Nesse viés, a tecnologia difundiu-se na realidade dos indivíduos de modo a reinventar antigos processos, como lavar roupa e pagar as contas. Exemplifica-se o tal as empresas Itaú e Bradesco que, visando facilitar a utilização de saldo bancário dos seus clientes, implementaram o controle de transações por meio de aplicativos celulares, dispensando a locomoção até suas sedes. Assim, percebe-se que os benefícios trazidos adicionaram praticidade as relações humanas.

Dessa forma, a falta de fornecimento do governo de instrução acerca do mecanismo digital afasta os prejudicados desse novo mundo de possibilidades. Isso porque, ao analisarmos os âmbitos que demandam um conhecimento mínimo de manuseio desses instrumentos, percebemos que se acentua a disparidade social entre pessoas conscientizadas e o público, majoritariamente idoso e de baixa renda, desinformado, ao não se garantir esse esclarecimento geral, fazendo jús ao pensamento do filósofo francês Pierre Levy de que “toda nova tecnologia cria seus excluídos”. Diante disso, a permissão a tal analfabetismo cria mais barreiras numa realidade já desigual.

Portanto, urgem-se medidas para resolução da problemática. É mister que o Ministério da Educação, visando instruir o povo para uso de aparelhos e máquinas, através de um projeto de lei entregue à câmara dos deputados, decrete como obrigatório a realização de palestras nos colégios públicos sobre o funcionamento da tecnologia. Ademais, as tais deverão ser públicas e semestrais, de modo a alcançar o máximo de pessoas possíveis. Assim, prever-se-á que situações como a vivida pelo sensei Lawrence não voltem a ocorrer.