A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 27/02/2021
O conceito de entropia, da Física, mensura o grau de desordem em um sistema termodinâmico. No entanto, fora das ciências da natureza, o analfabetismo digital configura-se como um problema entrópico, em virtude do caos presente na questão. Isso pode ser explicado pela educação deficitária brasileira e pela inação governamental diante das mudanças ocorridas com a inserção da tecnologia no cotidiano das pessoas.
Em primeira análise, vale ressaltar o despreparo civil no que concerne aos perigos existentes no universo digital. Hodiernamente, a tecnologia faz parte do cotidiano da maioria dos brasileiros, sendo uma excelente ferramenta de inclusão social. O cantor brasileiro Gilberto Gil, em sua canção “Pela Internet”, exalta a quantidade de informações disponibilizadas para os usuários nas plataformas digitais. Contudo, o excesso de informações exige cuidados para evitar a manipulação dos cidadãos por meio de notícias falsas e a ação de criminosos. Entretanto, na prática percebe-se usuários desavisados e vulneráveis às inverdades e aos mecanismos usados para roubar dados confidenciais. Por isso, a falta de criticidade e esclarecimento no uso da internet carece de medidas para mitigar suas consequências danosas.
Ademais, é preciso atentar-se para a impunidade presente na questão. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King de que “a injustiça em um lugar qualquer é uma ameaça a justiça em todo lugar” cabe perfeitamente. A insuficiência legislativa diante dos crimes cibernéticos e de segurança dos dados compartilhados na rede vai de encontro ao pensamento de King, isso porque a impunidade torna o espaço virtual um ambiente fértil para a violação da privacidade dos usuários, colocando em risco seu bem-estar pessoal para além do mundo digital.
Urge pois, que medidas sejam tomadas com o intuito de se coibir o problema discorrido. Portanto, faz-se mister que o Ministério da Educação insira na grade curricular obrigatória o ensino sobre educação digital desde o fundamental - tendo em vista que indivíduos cada vez mais jovens estão imersos na realidade das novas tecnologias - para torna-los mais críticos e orientar sobre os riscos dentro do contexto da internet, por meio de profissionais de ciências informáticas capacitados. Assim, construir-se-á uma sociedade mais ordenada.