A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 09/04/2021

“Nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio”. O pensamento do filósofo Heráclito consagra o movimento perpétuo do mundo e as mudanças na sociedade. Entretanto, o analfabetismo digital impede as transformações digitais no Brasil, em virtude da desigualdade social e da falta de incentivo de contato com aparatos tecnológicos nas escolas. Desse modo, cabe discutir as causas e repercussões dessa problemática, em nome de um futuro mais desenvolvido.

A princípio, a falta de contato com o mundo tecnológico nas escolas agrava o analfabetismo digital no Brasil. Nesse contexto, parafraseando o poeta Fernando Pessoa, “Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa.” Tal pressuposto enseja uma reflexão sobre a mudança de era e os avanços tecnológicos e a importância de se manter sempre atualizado com as novidades da época, porém a falta de incentivo por parte de uma força maior na área tecnológica agrava o analfabetismo digital, haja vista que a falta de valorização desse âmbito cria seres humanos ignorantes sobre o poder da tecnologia. Posto isso, em razão dessa indiferença, o sistema educacional não apresenta a internet como uma ferramenta eficaz para o desenvolvimento intelectual de um indivíduo.

Outrossim, a desigualdade social está diretamente atrelada ao analfabetismo digital no país. Sob este prisma, o psicanalista Antonio Quinet, em seu livro “Um olhar a mais”, defende que a sociedade contemporânea é mediada pelo olhar. Sob essa ótica, nota-se um visão negligente da sociedade sobre aqueles que não possuem uma renda adequada para investir nas novidades tecnológicas e no conhecimento digital, considerando-se a falta de assistência que essa minoria recebe, além de digerir o que lhe é apresentado como verdade absoluta sem antes questionar ou desconfiar, deixando-os mais vulneráveis aos perigos do meio digital. Assim, é inquestionável o efeito negativo da desigualdade social, o que alimenta questões, como, a falta de experiência em âmbito tecnológico.

Portanto, “a tarefa não é ver o que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê”. Partindo do pressuposto do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, é basilar que o Ministério da Educação promova aulas sobre o correto uso da tecnologia, além de realizar seminários, por meio de palestras, no ambiente escolar e “lives” nas mídias sociais, sobre e a importância dessa ferramenta e o seu papel na construção de um futuro mais evoluído. Desse modo, essas intervenções poderão ser a “força” capaz realizar transformações digitais em terras brasileiras, como defendido pelo renomado filósofo Heráclito.