A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 04/03/2021
Consoante ao artigo sexto da Constituição Federal de 1988, todos têm direito a educação. Entretanto, hodiernamente, não há o cumprimento dessa garantia, haja vista os problemas referentes ao analfabetismo digital no Brasil. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se relevantes: a desigualdade socioeconômica, bem como a falta de formação no âmbito educacional.
Inicialmente, é indiscutível o impacto da disparidade social no acesso da sociedade aos recursos digitais. Nessa lógica, de acordo com o índice de Gini, medida que classifica o grau de desigualdade em um país, o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais do mundo. Sob tal ótica, essa cruel diferença faz com que parcela da população não tenha familiaridade com o ciberespaço, o que resulta em uma impossibilidade de se adaptar com essa ferramenta. Dessa forma, parte do povo brasileiro, devido a sua condição social, é impedida de ter acesso à tecnologia.
Outrossim, é indubitável a falta de uma educação formadora como um dos fatores que validam a persistência da problemática. Nesse viés, segundo Roger Chartier, historiador contemporâneo, a escola deve funcionar de modo a ser uma ponte em que o poder público intervém na formação da sociedade, inclusive no âmbito digital. Analogamente, esse ideal não é concretizado, pois as instituições de ensino não ofertam uma formação para os alunos dominarem essas ferramentas tecnológicas. Desse modo, enquanto o ambiente escolar não preparar devidamente seus discentes, o entrave do analfabetismo no meio tecnológico perdurará sobre o país.
Portanto, fica evidente a necessidade de ações interventivas para minimizar o analfabetismo digital em todo o território nacional. Nessa óptica, urge que o Governo Federal, invista em regiões menos favorecidas economicamente, para proporcionar condições igualitárias de acesso aos meios tecnológicos. Além disso, o Ministério da Educação, por meio do amplo debate entre Estado, professores e famílias, deve introduzir novos métodos eficazes, e consequentemente promover a alfabetização da sociedade no tangente à tecnologia do país. Destarte, o Brasil poderá gradativamente mudar o quadro exposto pelo índice de Gini.