A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 07/03/2021
Para o filósofo escocês David Hume, a principal característica que difere o ser humano dos outros animais é o poder de seu pensamento para transformar a natureza. Sob essa ótica, nota-se que a tecnologia foi um resultado dessa habilidade, que apesar de ser positiva e acelerar a comunicação e a informação, depara-se com o atual problema social: o analfabetismo digital. Esse, por sua vez, possui como causas a disparidade econômica brasileira e a falta de formação do âmbito educacional.
Em primeira análise, vale ressaltar que o analfabetismo digital caracteriza-se pela impossibilidade de usar um aparato eletrônico para ler, escrever ou realizar tarefas simples. Nesse sentido, esse problema é uma consequência direta da transformação contemporânea digital, que apesar de crescer bastante, o nível econômico do país não acompanhou, e com essa disparidade, o acesso pleno aos aparatos tecnológicos não é democrático no território brasileiro. Para exemplificar essa ideia, o Índice Gini — medida que classifica o grau de desigualdade em um país — relata que o Brasil está entre as dez nações mais desiguais do mundo, e, devido à isso, uma parcela da população não têm facilidade no meio digital.
Em segundo plano, outra causa do analfabetismo digital no Brasil é a falta de formação no âmbito educacional. Assim, nota-se que as instituições de ensino não ofertam uma formação para os alunos dominarem as ferramentas tecnológicas, e essas poderiam não só mitigar o analfabetismo digital desde cedo, mas também ampliar o uso das tecnologias para ler mais livros e acessar informações de forma mais fácil. Esse cenário foi exemplificado por estudos do historiador Roger Chartier, o qual afirmou que os meios digitais aumentam as possibilidades de educar, mas a sociedade não tem acesso igual a esse processo, devido ao analfabetismo digital. Desse modo, enquanto o ambiente escolar não preparar devidamente seus alunos, o entrave do analfabetismo no campo da tecnologia perdurará no país.
Portanto, faz-se necessário medidas para superar o analfabetismo digital no Brasil. Assim, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve investir no acesso às tecnologias em regiões menos favorecidas, ao criar um auxílio para a aquisição de aparatos tecnológicos e baratear o acesso à internet nesses locais, com a união do setor privado, lançando planos a zero ou a baixo custo, colocando assim, a inclusão digital como política pública. Além disso, o Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas nacionais educativas, deve inovar a forma de ensino ao focar na alfabetização digital, ao criar um projeto chamado “escola digital”, e que esse permita a inclusão de aulas voltadas para o tema na grade de horários das escolas do país. À vista disso, o Brasil poderá, gradativamente, mudar o quadro exposto pelo índice Gini e conter o analfabetismo digital.