A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 04/03/2021

A Constituição Federal de 1988, prevê no Artigo 6°, o direito à assistência social como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, tal prerrogativa não tem se reverberado na prática, quando se observa uma parcela de analfabetos digitais que não usufrui de tal privilégio. Dessa forma, urge que medidas sejam atendidas para amenizar a questão do analfabetismo tecnológico, que é motivada não só pelo silenciamento, mas também negligência governamental.

De início, é importante ressaltar o silenciamento como uma das causas que impulsiona o problema, tendo em vista que o analfabetismo digital, no Brasil, é uma questão pouco abordada. Com isso, culminando em uma série de problemas, como exemplos: a exclusão social, a falta de capacitação profissional, uma sociedade menos igualitária, entre vários outros fatores. Sendo assim, segundo o filósofo  Pierre Bourdieu , o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nesse sentido, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, induzida na consolidação do problema, não tratando o analfabetismo digital com a seriedade necessária.

Ademais, é fulcral dar ênfase à questão da negligência governamental como um dos fatores que corroboram a perpetuação da adversidade existente no Brasil. Conforme o filósofo Nietzsche, a desigualdade dos direitos é a primeira condição para que haja direitos. Dessa forma, os grupos mais vulneráveis socioeconomicamente sofrem por não terem capital suficiente para arcar com as despesas oriundas do Analfabetismo Digital. Sendo assim, é inadmissível que, em pleno século XXI, ainda haja esse tipo de desigualdade que, além de submeter a população a condições deploráveis, priva as pessoas de tal virtude. Logo, é incontestável que o óbice continue a existir na sociedade, tendo em vista que é um dos motivos para o prosseguimento do desequilíbrio social.

Portanto, evidencia-se a necessidade de ações interventivas para reverter o impasse no país. Assim, cabe ao Ministérios da Educação e Cidadania, em parceria com o Ministério Público, criar, por meio de verbas governamentais, estruturas tecnológicas no âmbito pedagógico e programas educacionais que tratem, na prática e teoria, acerca do manuseio e formas de usar os meios digitais à favor do desenvolvimento pessoal e da sociedade. Além disso, deve ocorrer paletras, debates e reportagens, disponibilizadas nas mídias sociais, com profissionais digitais e pedagógicos, a fim de garantir os direitos dos indivíduos prejudicados e mobilizar a população. Dessa maneira, será possível que o problema seja gradativamente minimizado no país e os direitos grantidos na Carta magna serão viabilizados e efetivados.