A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 02/03/2021

O longa-metragem “Eu, Daniel Blake” retrata um incidente de dificuldade enfrentada pelo seu protagonista, Daniel Blake, para conseguir o auxílio do governo após uma parada cardíaca pelo fato de não possuir o conhecimento necessário no meio tecnológico. Extrínseco à diagese, o cenário hodierno assemelha-se ao cinematográfico, visto que a escassez de recursos orçamentários, bem como o déficit pedagógico, convergem à questão do analfabetismo digital no Brasil. Nesse ínterim, cabe avaliar as causas socioestatais, a fim de liquidá-las de maneira eficaz no viés pós-moderno.

Precipuamente, é fulcral salientar que o sociólogo Émile Durkheim afirma que o Poder Público se responsabiliza pelas questões que envolvam a coletividade estabelecendo, por conseguinte, o bem-estar social. Entretanto, a perspectiva do estudioso manteve-se no plano teórico, haja vista a indiligência estatal em viabilizar investimentos aptos a promoverem um melhor acesso à inclusão digital aos cidadãos que não têm conhecimento tecnológico e que, em sua maioria, vivem em regiões de alta vulnerabilidade social. Assim, tal realidade pode justificar a incidência do analfabetismo digital no ínterim brasílico.

Outrossim, ressai-se como proveniência dessa temática a falha educacional. Consoante às premissas de Enéas Carneiro- renomado médico brasileiro- apenas  o conhecimento é o dado mais importante que separa o ser humano de todos os seus irmãos da escala filogenética. Nesse sentido, a hipossufciente fiscalização em setores que possuem o escopo de promover a interação pedagógica falha com a ausência de campanhas de cunho informacional que reflitam sobre a importância do vínculo computacional entre os cidadãos desde o ensino básico em uma sociedade com princípios progressistas.

Urge, portanto, que a questão do analfabetismo digital no Brasil seja, de fato, atenuada na prática. Para tanto, cabe à Secretaria do Tesouro Nacional ampliar investimentos que, por intermédio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC), sejam direcionados à otimização de programas de distribuição de dispositivos tecnológicos, principalmente, nos locais de alta vulnerabilidade social, nos quais essa problemática é mais persistente, a fim de alcançar o desenvolvimento nacional- delineado no artigo 3° da Lei Maior. Ademais, as instituições de ensino devem inserir na respectiva matriz curricular o ensino da disciplina “Educação digital” em que sejam expostos os conhecimentos digitais necessários na hipermodernidade, para que a interação socio-educacional seja realizada de forma plena. Nessa conjuntura, a realidade distanciar-se-á da vivida no filme.