A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 06/03/2021

A pandemia ocasionada pelo novo coronavírus impôs limites severos de convivência social, implicando na modificação dos contatos entre pessoas e destacando o papel da tecnologia nesse processo. À vista disso, houve o incremento da digitalização em diversos setores das atividades humanas, revolucionando o modo de realizá- las. Entretanto, ao mesmo tempo que trouxe à tona inovações, essa conjuntura evidenciou problemas que corroboram para a exclusão de grupos sociais do movimento de avanço tecnológico.

A perpetuação do analfabetismo funcional e da desigualdade socioeconômica constitui o primeiro dos entraves enfrentados pela população brasileira nesse contexto. Dessa forma, à medida que milhares de pessoas continuam a não possuir o domínio da linguagem escrita nem acesso aos recursos eletrônicos, é verificada a ausência de ferramentas fundamentais para a inclusão da parcela mais empobrecida da sociedade no meio digital, concentrando seu acesso nas camadas mais abastadas, porém menos populosas, tendo em vista a alta concentração de renda no Brasil.

Além disso, há ainda a problemática da má utilização dos adventos tecnológicos pelos indivíduos, que também constitui um tipo de analfabetismo e acarreta em más consequências nos ambientes virtuais e não virtuais. Exemplos dessas situações foram as veiculações de fake news nas candidaturas dos presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro, que influenciaram os processos democráticos em curso. A partir desses eventos, foi possível constatar a necessidade de de uma modernização da legislação brasileira e o despreparo do público para lidar com as informações em trânsito, carecendo de avaliação mais criteriosa.

Consoante essa realidade, é imprescindível a tomada de medidas que visem a incorporação de mais brasileiros aos espaços digitais. Sendo assim, a capacitação dos cidadãos deve ser priorizada no programa escolar através de projetos educacionais elaborados pelo Ministério da Educação em parceria com os governos. O acréscimo da matéria de programação e robótica no currículo estudantil, já em prática em diversos colégios, e a retomada de projetos como o “Ciência sem fronteiras” são cruciais para a alfabetização digital da sociedade brasileira, pois a geração jovem é uma aliada nesse processo e desempenha função social importante nesse cenário à medida que compartilha seu conhecimento com as gerações anteriores à sua e instrui as seguintes no seu entorno.