A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 02/03/2021
“A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos”. Essa frase, da filósofa Hannah Arendt, aponta para a importância dos direitos serem mantidos na sociedade brasileira. No entanto, no que concerne à questão do analfabetismo digital, verifica-se uma lacuna na manutenção dos direitos humanos, principalmente o direito à inclusão digital, o que configura como um problema complexo. Nesse contexto, ao se analisar a circunstância decadente ao analfabetismo tecnológico, faz-se essencial uma discussão a respeito dessa mazela. Logo, deve-se considerar também sobre as implicações sociais desse entrave, tais como o silenciamento e a falta de investimento.
A princípio, a falta de debate colabora com esse grave problema. O filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna no que se refere ao debate em torno do analfabetismo digital no Brasil, uma vez que tem sido silenciado de forma intensa. Assim, sem diálogo sério e massivo sobre esse impasse, sua resolução é impedida.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a escassez de investimentos. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, a taxa de investimento no Brasil, somando setores públicos e privado, está no seu menor nível dos últimos 50 anos. Contudo, para agir sobre problemas coletivos, como a questão do analfabetismo digital, é preciso investimento abundante. Como há uma lacuna financeira no que tange ao problema, sua erradicação tem sido complicada.
Portanto, medidas são necessárias para atenuar esse quadro alarmante. É imprescindível, então, que as escolas, em perceria com a prefeitura, devem elaborar abaixo-assinados e cartas exigindo do poder público maior direcionamento de verba à resolução do analfabetismo digital. Tais documentos podem ser enviados, por meio do site “Fala.BR”, plataforma de ouvidoria da Controladoria-Geral da União. Assim, o governo pode se conscientizar acerca da destinação da verba pública e da importância de solucionar com urgência a questão do analfabetismo digital. Ademais, as escolas, em ação conjunta com a prefeitura, devem promover um espaço para palestras e conversas sobre o analfabetismo digital, a fim de quebrar o silenciamento em torno do tema, e alavancar um maior conhecimento e atuação nele. Sendo assim, os entraves mencionados serão amenizados na modernidade e a máxima de Hannah Arendt seria concretizada na realidade brasileira.