A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 05/03/2021

“A tecnologia move o mundo”. Tal premissa, enunciada por Stive Jobs, criador da Apple, faz alusão ao importante impacto das ferramentas tecnológicas para o mundo. Nesse sentido, nota-se que para desfrutar dessa nova configuração é fundamental que exista uma formação educacional voltada para a utilização desses aparatos, porém diversos indivíduos são excluídos desse processo, por consequência prepondera uma questão grave de analfabetismo digital. Assim, observa-se que tanto a não democratização do acesso à internet e aos dispositivos tecnológicos quanto o descompromisso Estatal em assegurar um letramento digital fomentam esse cenário de abismo social.

É indispensável destacar que a ONU (Organização das Nações Unidas), em 2011, descreve o direito à conexão à internet como um Direito Fundamental do ser humano. Entretanto, distanciando-se desse princípio, o que pode ser escancarado, no contexto brasileiro, é uma desigualdade, uma vez que não há a disponibilização da internet e de equipamentos para todos, sobretudo, para os mais pobres, bem como os moradores de zonas rurais . Nessa lógica, nota-se que essa disparidade cruel, impossibilita que esses cidadãos tenham familiaridade com o ciberespaço para gerir e manusear os recursos digitais. Dessa forma, tem-se um processo de marginalização dessas pessoas, as quais têm seus direitos e suas dignidades ultrajadas, uma vez que são excluídas desse processo de modernização.

É salutar destacar, ademais, os dados divulgados pelo relatório da revista britânica “The Economist” -o qual aponta que em um Ranking, com cem países, sobre a alfabetização digital, o Brasil ocupa a 66º posição. Esse dado, reverbera o lamentável panorama brasileiro, já que evidencia a despreparação dos cidadãos em lidarem com as inovações tecnológicas. Nesse sentido, o Estado se mostra omisso em ofertar uma formação efetiva digital à população, como consequência mantém uma sociedade leiga e despreparada para a modernidade; da mesma forma os institutos educacionais, em muitos casos, não disponibilizam essa formação aos discentes e à comunidade. Dessa maneira, a tecnologia deixa de ser vista como uma facilitadora e passa a ser uma barreira social excludente para os analfabetos digitais.

Logo, é fulcral que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação invista em ações de inclusão ao ciberespaço, por meio não só de destinação de aparelhos tecnológicos- como celulares, computadores e internet gratuita - para os mais carentes de regiões menos favorecida ,a fim de proporcionar uma democratização de acesso a esses aparatos. Além disso, cabe ao Ministério da Educação estabelecer o letramento digital como uma diretriz curricular nacional, instituindo seu ensino desde a infância, com aulas semanais, ministradas por profissionais da área tecnológica, com o fito para construir uma sociedade mais preparada e reverter os dados divulgados pela “The Economist”.