A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 04/03/2021

Na obra cinematográfica “De Volta Para o Futuro 2”, lançada em 1989, o protagonista Marty viaja para o ano de 2015 no futuro e é surpreendido pelo avanço científico e tecnológico, como os carros voadores, celulares e drones. Fora da fantasia, essas inovações em parte se concretizaram e representam um novo modelo social de interações pelo meio digital. Contudo, uma parcela populacional é analfabeta digitalmente, causando o aumento das “fake news” e das falhas de segurança pública.

Mormente, a falta de perfis críticos no âmbito “online” potencializa a propagação das notícias falsas. Nesse sentido, a grande presença dos analfabetos digitais no Brasil é uma causa direta do engajamento e compartilhamento de mensagens fraudulentas nas mídias sociais. De acordo com o pedagogo Paulo Freire, a educação brasileira é caracterizada como “bancária”, ou seja, ocorre somente depósitos de conhecimento e, consequentemente, a formação de uma sociedade acrítica de informações. Sob essa ótica, essa educação reflete na hodierna configuração cibernética com a ausência de checagens e verificações acerca das mensagens recebidas ou visualizadas nas redes sociais antes do compartilhamento. Com isso, é necessário alfabetizar digitalmente toda a população para impedir a ampliação das “fakes news” no contexto do mundo globalizado.

Em paralelo, a segurança cibernética nacional encontra-se em grave risco devido ao quantitativo de não alfabetizados tecnológicos. Nesse viés, o progresso científico não avançou proporcionalmente as características da sociedade, a qual é vítima da má fiscalização do meio “online” pelas autoridades públicas. Segundo o professor de ciência da computação, da Universidade Estadual de Campinas, Paulo de Geus, o país possui uma infraestrutura adequada, mas não uma supervisão aos sistemas de informática. Sob essa perspectiva, durante a pandemia da COVID-19, instaurada em 2020, o meio digital foi um forte agente para substituir o contato físico, contribuindo para as medidas de proteção. Esse fato alertou para as fraudes e golpes dentro da “internet”, os quais os analfabetos digitais são mais suscetíveis a serem alvos desses crimes cibernéticos pelo desconhecimento da tecnologia.

Destarte, o analfabetismo digital traz consigo diversos pontos negativos para o país. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação e Cultura combater as “fake news”, por via de campanhas de conscientização nos espaços públicos e privados com especialistas na área, visando erradicar as notícias falsas no país. Além disso, é dever do Ministério da Justiça e Segurança Pública fortalecer as penalizações no âmbito “online”, por meio da ampliação da fiscalização do Marco Civil da Internet por todo espaço tecnológico, objetivando mitigar os casos criminosos dentro dessa rede. Assim, há a possibilidade de convergir os avanços tecnológicos com a educação da população brasileira.