A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 02/03/2021

O empresário Steve Jobs, criador da “Apple”, afirmou que a tecnologia tem grande influência no mundo contemporâneo. Sobre essa ótica, no contexto brasileiro, essa perspectiva não se faz presente, uma vez que, o analfabetismo digital é uma problemática recorrente. Diante disso, é necessário medidas interventivas para conter a questão, a qual é agravada devido não só a desigualdade socioeconômica, mas também a falta de formação educacional.

Sobre essa perspectiva, é necessário enfatizar e intensificar o impacto da disparidade social no acesso da sociedade às tecnologias e aos recursos digitais. Nesse sentido, de acordo com o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, mostram que 45,9 milhões de brasileiros ainda não tinham acesso à internet em 2018. Nessa lógica, essa cruel diferença faz com que parte da população não tenha familiaridade com o mundo digital, o que resulta em uma impossibilidade de se adaptar ao uso dessa ferramenta. Dessa forma, uma parcela do povo brasileiro, por conta de sua condição social, é impedida de ter acesso à tecnologia, fato que, consequentemente, agrava esse entrave.

Do mesmo modo, é indiscutível destacar a falta de uma educação formadora, como um dos fatores que validam a persistência da problemática. Segundo Roger Chartier, grande historiador contemporâneo, a escola deve funcionar de modo a ser uma ponte em que o Poder Público intervém na formação da sociedade, inclusive no âmbito digital. Entretanto, na realidade brasileiro, essa ideia não é concretizada, pois as instituições de ensino não disponibilizam uma formação para os alunos dominarem essas ferramentas tecnológicas. Tendo em vista tal situação, enquanto o ambiente escolar não preparar devidamente seus estudantes, a problemática do analfabetismo digital perdurará sobre o País.

Evidencia-se, portanto, a necessidade de ações interventivas para minimizar o analfabetismo digital em todo território brasileiro. Para isso, o Governo deve investir em regiões desfavorecidas economicamente, para proporcionar condições igualitárias de acesso aos meios tecnológicos. Além disso, compete ao Ministério da Educação, órgão responsável pelas políticas nacionais educativas , por meio de debate amplo entre Estado, professores e famílias, novos métodos avançados de ensino, com a finalidade de transformar a educação brasileira e, consequentemente, promover a alfabetização da sociedade, no que se refere à tecnologia no País. Tendo feito isso, o Brasil poderá, aos poucos, mudar o quadro exposto pelo IBGE.