A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 08/03/2021

Na série coreana ‘’Live On’’, a protagonista sofre ataques digitais, e mesmo não sendo verídicos os acontecimentos apresentados, as pessoas não procuraram as fontes ou pesquisaram se eram confiáveis. Fora dos tablados da ficção, muitos também caem em ‘’fake News’’ na internet por não saber interpretar, e também por confiar facilmente no que leem na internet. Sob esse viés, no Brasil, as coisas são ainda mais graves, pois além desse analfabetismo digital, ainda temos o analfabetismo funcional entre a população brasileira.

Em primeira análise, é notório que o analfabetismo digital é pouco discutido no Brasil, por isso, existe impasses para soluciona-lo, tais como, não saber que é um problema ou a dificuldade que passa para receber informação verídica.  Sob essa ótica, é possível destacar que a tecnologia é a forma mais usada para se comunicar com o mundo, assim, se não compreender e não saber usá-la se tornará uma ferramenta inútil ou de regresso. Por isso, é necessário que a sociedade tenha uma educação de qualidade para que haja uma forma de avanço e não um fator de atrapalho.

Em segunda análise, é valido salientar a questão do analfabetismo funcional, que é um dos maiores agravantes do analfabetismo digital. Dessa forma, de acordo com Paulo Freire, no livro ‘’a importância do ato de ler’’, afirma que a leitura não é somente decodificar as palavras, mas ter um entendimento e compreensão do que está naquele texto e contexto. Nesse sentido, por causa da educação medíocre e falha que se tem no país, muitos mesmo após concluir o ensino médio ainda tem dificuldades de entender um texto. Pois, segundo o IBGE, existe em média 11 milhões de analfabetos no Brasil. Portanto, se a tecnologia for usada como um meio educativo, terá também novas formas de aprendizagem e de qualidade, pois é uma ferramenta vasta e que tem inúmeros beneficios, como ter livros e aulas sem ter acesso a escola ou curso pagos.

Por conseguinte, é necessário que medidas sejam tomadas para solucionar a problemática. Por isso, o governo federal, juntamente com o ministério da educação devem redirecionar investimentos para as instituições públicas educativas, para que melhore a qualidade da educação oferecida. Paralelamente a isso, o poder público, deve redirecionar recursos para campanhas midiáticas e publicitárias, com o objetivo de espalhar dentro dos próprios meios sociais o cuidado que devem ter com fake News e também a busca por interpretar o que está lendo nas redes. Ademais, famílias e escolas, com diálogo e palestras sobre o tema devem discutir sobre a importância da compreensão textual e contextual e a ‘’desconfiança’’ nas fontes que leem. E com isso, espera-se que as questões sobre o analfabetismo digital sejam resolvidas.