A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 03/03/2021

A Constituição Federal de 1988 garante o direito à educação como inerente a todo cidadão. Tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se fala sobre a questão do analfabetismo digital no Brasil, dificultando, desse modo, a universalização desse direito tão importante. Dessa forma, é necessário analisar não só a negligência governamental, mas também a privatização de espaços educacionais.

Em primeiro lugar, é importante postular a negligência governamental como perpetuadora do problema. Nessa lógica, conforme Jean-Jacques Rousseau, as autoridades políticas se isentam da garantia dos direitos dos requisitos. Sob essa ótica, a visão utópica da Constituição, não se materializa, uma vez que, a falta de investimento do governo em educação tecnológica é um cenário presente na atual conjuntura, especialmente, pela falta de salas especializadas na área do meio digital, escassez de materiais, dessa maneira, torna-se uma realidade distante para grande parte da população brasileira. Consequentemente, se distancia do direito ao ensino que é garantido a todos pela lei.

Em segundo lugar, é pertinente analisar uma segregação social vigente de que a educação não abrange uma população de baixa renda é um fator limitante para que haja o aumento do índice de analfabetismo digital. Acerca disso, no livro “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus, a qual ilustra o triste cotidiano de miserabilidade, e, assim, mostra como o acesso a um ensino de qualidade é uma  perspectiva distante da realidade brasileira, já que o acesso a internet não é democratizado, por consequência, os indivíduos que não tem uma instrução de como manusear o meio digital, acabam encontrando dificuldades de se inserirem, inclusive, no mercado de trabalho.

Depreende-se, portanto, que medidas sejam tomadas para minimizar tal questão, visando menores índices de analfabetismo digital. Assim, urge que o Ministério da Educação, em parceria com o da Economia, invistam em um plano educacional que vise a elucidar a população quanto aos benefícios de conhecer as tecnologias, por meio de aulas de informática , com profissionais da área, demonstrando o básico de como manusear o aparelho tecnológico, a fim de que haja uma menor negligência do governo e menos segregação social. Somente assim, o cenário visto em “Quarto de Despejo” não seja uma realidade e o problema será gradativamente erradicado da sociedade.