A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 05/03/2021

Internet: um “panóptico” contemporâneo

Nas HQ’s da década de 60, o “Homem de Ferro” é um super herói que manipula a sua armadura através da tecnologia, assim, a máquina desperta em Tony Stark habilidades e saberes inimagináveis. Saindo da ficção e adentrando na realidade, observa-se o contrário, uma vez que a internet também possibilitou a questão do analfabetismo digital, já que existe em virtude do adestramento dos corpos atrelado à falta de cidadania digital. Dessa forma, embora não possuam superpoderes, os cidadãos devem utilizar o conhecimento como “armadura” crítica no ápice da contemporaneidade brasileira.

Em primeiro plano, é indiscutível que a internet adestra o comportamento do usuário hodiernamente. Nesse sentido, assim como o “papnóptico” foucalteano, o meio digital assegura o funcionamento sistemático de poder, já que é uma forma de manipular os usuários de acordo com as suas necessidades, uma vez que o analfabeto digital é aquele que não detém de conhecimentos acerca dos perigos que a aldeia digital proporciona, sendo um indivíduo de fácil manipulação. Dessa maneira, tal questão digital ainda precisa ser bastante discutida no status quo.

Ademais, é visível que a falta de cidadania digital reverbera diretamente na propagação das Fake News. Isso porque, o analfabetismo tecnológico se configura da utilização irresponsável da internet, utilizando a mesma para perpetuar mentiras e difamar pessoas. Desse modo, consoante Hannah Arendt, a Fake News se configura como uma banalidade do mal, pois representa algo comum no ciberespaço que vem se tornando banal, já que os analfabetos digitais não utilizam a educação como meio de alcançar o conhecimento.

Portanto, para que o problema seja minimizado, é preciso que o governo, órgão com poder do Estado, juntamente com o Ministério da Educação, invista na educação digital, por meio de worshop’s interativos nas escolas, com a utilização do cyberativismo crítico, que possa tornar os cidadãos mais críticos e responsáveis na utilização da internet, a fim de que a cidadania digital, de fato, possa existir. Só assim, a sociedade utilizará o conhecimento como “armadura” poderosa para qualquer problema difundido no âmbito contemporâneo.