A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/03/2021

Apesar de o Brasil ter várias opções de operadoras que tornam os serviços de internet cada vez mais fáceis de acessar, o país ainda tem seu avanço travado pelo nível de preparo e educação digital. Segundo o relatório da revista britânica The Economist, o Brasil aparece na 31ª posição no ranking geral de 100 países, que avalia preparo, facilidade de acesso, disponibilidade e relevância da internet em nível global. Com isso, o analfabetismo digital no Brasil é uma questão que precisa ser debatida, uma vez que  ocorre devido à falta de educação digital e à negligência estatal.

Primeiramente, é preciso ressaltar que a questão do analfabetismo digital está interligada com a falta de intruções para a população de como deve-se proceder na internet de forma segura. Isso porque, apesar de grande parte da população ter acesso as ferramentas de comunicação em massa, nem todos conseguem diferenciar o que consomem na internet, o que os tornam um risco para o coletivo, uma vez que podem fazer compartilhamentos sem veracidade. Segundo o escritor Leonardo Sakamoto, em sua obra “O que aprendi sendo xingado na internet”, a educação para mídia serve para preparar as pessoas para selecionar, interpretar e veicular conteúdos com responsabilidade. Nesse contexto, a falta de educação digital corrobora para uma sociedade fragilizada midiáticamente, sujeitas a fake news e até golpes na internet, uma vez que não foram orientadas a respeito disso.

Ademais, percebe-se a falta de iniciativa estatal a fim de resolver o analfabetismo digital no Brasil, devido à falta de inclusão de disciplinas tecnológicas na matriz curricular das escolas, que precariza a formação digital desde o ensino básico. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a educação tecnológica não chega para 4,8 milhões de crianças e adolescentes, na faixa de 9 a 17 anos, no Brasil. Nesse viés, as escolas deveriam propiciar essa educação, assim como as ferramentas necessárias para entelaçar, desde o ensino básico, o ensino digital e o ensino comum, a fim de imergir nos alunos o conhecimento e a responsabilidade digital. Além disso seria possível desvincular a internet de ser um mero passamento e fomentar o conhecimento e a responsabilidade nas mídias.

Portanto, vista a questão do analfabetismo digital no Brasil, são necessárias medidas que visem revertes esse cenário. Para isso, urge que o Ministério da Educação reformule a grade curricular de ensino, incluindo obrigatoriamente a disciplina de educação digital em sua matriz curricular, com a disponibilização de verbas para a aquisição de computadores e equipamentos, a fim de promover a educação digital desde a formação escolar. Alem disso, cabe ao órgão promover cursos on-line sobre a educação digital, transmitidos de forma gratuita e aberta,  sobre as principais medidas para se obter um uso responsável no mundo digital, para conscientizar e diminuir o analfabetismo nesse meio.