A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 03/03/2021
“A tecnologia move o mundo”. Segundo Steve Jobs,um dos fundadores da empresa “Apple”,a tecnologia faz parte da geração moderna, provendo grandes benefícios para a humanidade. Entretanto, no contexto brasileiro tal perspectiva não se faz presente, uma vez que o analfabetismo digital é uma problemática recorrente. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão da desigualdade socioeconômica no Brasil, mas também devido à falta de formação no âmbito da educação digital.
A princípio, após o advento da Terceira Revolução Industrial o mundo passou a ser globalizado, diante do avanço das tecnologias de informação e comunicação. Dessa forma, segundo o sociólogo Habermas, os meios de comunicação são fundamentais para a construção de uma razão comunicativa. Sob essa lógica,o progresso nas áreas de comunicação e informação auxiliam no desenvolvimento social. Entretanto, a realidade da desigualdade socioeconômica brasileira coloca em risco a formação tecnológica do cidadão, bem como sua proteção acerca da vasta disponibilidade de informações, muitas vezes, não verdadeiras. Sob essa perspectiva, rompe com o progresso social, que uma rede eficiente de formação digital pode gerar. Tendo em vista a realidade supracitada, reverbera-se sobre o acesso aos recursos tecnológicos, a qual contribui para a persistência do analfabetismo digital no Brasil.
Ademais, vale ressaltar a conjuntura do complexo social brasileiro na falta de formação educacional como potencializadora do analfabetismo digital. De acordo com o filósofo Pierre Lévy, toda tecnologia cria seus excluídos, de fato, a população alheia a uma educação que promova a reflexão crítica acerca do mundo cibernético é mantida excluída no que diz respeito à tecnologia e seus contornos de inclusão e desenvolvimento socioeconômico. Desse modo, o Brasil falha na promoção de “cidadania digital”, no qual não fornece condições para que as pessoas use das tecnologias de forma responsável,além de garantir condições de subcidadania aos indivíduos. Logo, faz-se necessário maior protagonismo para acabar com o analfabetismo digital e promover que o exercício da cidadania no ambiente virtual.
É evidente, portanto,que ainda há entraves para a solidificação de políticas que visem mitigar o analfabetismo digital no Brasil. Nesse viés, cabe ao Governo —como órgão soberano politicamente organizado —promover maior protagonismo na resolução de desigualdades socioeconômicas, para proporcionar condições igualitárias de acesso aos meios tecnológicos. Por meio de investimento em regiões de baixa renda, com suporte de Assistência Social e tecnológica, no fornecimento de redes e aparelhos eletrônicos.Além disso, compete ao Ministério da Educação, inserir nos parâmetros curriculares a disciplina de “Educação Digital” ainda na infância, através da tecnologia no ambiente escolar e,também,por meio de debates para a construção de uma consciência crítica e responsável.