A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 03/03/2021

O importante filósofo canadense Herbert Marshall afirma, em sua teoria da aldeia global, que as novas tecnologias foram capazes de encurtar distâncias, isto é, a possibilidade da troca de informação a partir de um sistema remoto. Entretanto, ao contrário do que o senso comum defende, essas inovações traz a questão do analfabetismo digital como um efeito dessa evolução. Dessa forma, é válido analisar que o processo de transformação digital revelou falhas educacionais baseadas tanto na falta de conhecimento para mexer com a tecnologia, como no fato de as pessoas serem facilmente manipuladas por ela.

Inicialmente, é preciso entender que a falha na trajetória educacional implica o desconhecimento do manuseio das ferramentas digitais. Isso ocorre, essencialmente, porque desde o alavanco acelerado desse tipo de tecnologia- que foi a partir da Segunda Guerra Mundial, com a criação do computador e da internet- boa parte da sociedade não teve contato com esse avanço, assim como as gerações seguintes. Logo, a não preocupação em atualizar o corpo social ocasionou uma sociedade dividida por nível de conhecimento tecnológico, que na contemporaneidade é primordial em ambientes de trabalho, por exemplo.

Do mesmo modo, pontua-se que o analfabetismo digital traz, como consequência, indivíduos facilmente manipuláveis. Tal questão acontece porque existe o convencimento dessas pessoas, pelas notícias, sem que haja o questionamento sobre a credibilidade de determinado assunto, o que acarreta mais desinformação. Isso pode ser exemplificado tomando por base o ranking feito pela revista britânica The Economist , na qual afirma que o Brasil ocupa o 4 lugar no quesito de nível de confiança das informações expostas na internet, o que mostra a ingenuidade da população e a carência por um processo educacional capaz de instigar o pensamento social.

Portanto, é chegada a hora de romper com o analfabetismo digital no Brasil. Para que isso ocorra, é fundamental que o Ministério da Educação, em virtude da sua responsabilidade social, promova a educação da tecnologia de informação(TI) básica no país. Isso deve ser feito por meio da inserção de uma grade curricular específica para o desenvolvimento do aprendizado das tecnologias, como plataformas de sistemas operacionais, nos ambientes de ensino, atendendo à especificidade e ao nível exigido no curso graduado, além do incentivo à verificação da veracidade das informações . Essas atitudes devem ser adotas a fim de reduzir o analfabetismo digital no Brasil e assim a sociedade possa usufruir, de maneira equitativa, da aldeia global proporcionada pelas novas tecnologias.