A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 06/03/2021
Um dos problemas educacionais que afetam a sociedade brasileira atual, além do analfabetismo funcional, é o analfabetismo digital. Lamentavelmente, é com o auxílio dele que as fake news se espalham tão rapidamente e cibercriminosos cometem suas infrações. Segundo o relatório anual The Inclusive Internet Index 2019, que realiza um ranking com 100 países a partir da análise da contribuição da internet para fatores socioeconômicos em nível global, o Brasil está na posição 66º no quesito instrução do adequado uso dos meios de comunicação digitais.
Em primeira instância, sabe-se que analfabetismo se refere à falta de conhecimentos acerca de algo. No caso das escrita e leitura, há o absoluto, o iletrismo, o funcional, entre outros. Já no caso dos meios de informação mais avançados e atuais, há o digital. Nele, a pessoa sem orientação não sabe e/ou não pode acessar os meios de comunicação eletrônicos e utilizá-los para realizar tarefas simples, como digitar um texto, pesquisar sobre um fato histórico, etc. Há, também, as pessoas que até estão a par de e/ou podem aceder a essas ferramentas, mas, como não têm o saber necessário, manejam-as inadequadamente. Uma informação falsa, por exemplo, que diz que uma vacina contra o coronavírus pode transformar pessoas em jacarés pode ser veiculada por diversas pessoas que não averiguaram a veracidade do conteúdo, apesar de esse ser absurdo.
Fake news não são os únicos perigos de não ter conhecimento acerca do uso dos meios digitais. O que nota-se, conjuntamente a essas desinformações, ultimamente, é a falta de eficácia da Legislação brasileira no que diz respeito à cibersegurança. Isso fica claro com os ataques digitais ao Superior Tibunal de Justiça, ao Tibunal Superior Eleitoral, e ao Ministério da Saúde, todos em novembro de 2020. Está claro que três das instituições mais poderosas e hipoteticamente mais bem protegidas do Brasil não estão seguras quanto aos meios digitais. Logo, o que pode-se dizer dos analfabetos digitais que têm um smartphone nas mãos? Eles estão seguros? As respostas a essas perguntas é não.
Portanto, para vencer o analfabetismo digital no Brasil é necessário, inicialmente, que o MEC crie projetos, visando uma educação tecnológica da população, como produção e distribuição de livros, de vídeos e/ou publicações disponibilizados nos meios tecnológicos, como YouTube, e incentivo aos veículos de informação acerca do tema, para gerar, no curto prazo, um senso de consciência digital nos brasileiros em geral. Já no longo prazo, pode ser preparada, pelo MEC, também, uma matéria escolar de nível fundamental e uma de nível médio para que as crianças sejam educadas acerca da necessidade da responsabilidade e dos possíveis perigos presentes nos meios tecnológicos, a fim de que elas cresçam instruídas, não caiam em golpes, se informem adequadamente e se protejam nos meios digitais.