A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 07/03/2021
O advento da internet após a Revolução Técnico-Científica possibilitou uma inovadora integração entre distintas sociedades e uma velocidade de comunicação jamais vista, alterando completamente os modos de produção e de relacionamento na atualidade. Porém, no Brasil, devido à grande desigualdade social existente e ao sistema educacional deficitário, o número de analfabetos digitais - pessoas incapazes de utilizar os meios tecnológicos ou de informática - ainda é bastante expressivo.
A priori, a internet é uma importante ferramenta de inclusão e desenvolvimento socioeconômico, porém, segundo o escritor Nelson Mandela, a globalização existente hoje é considerada perversa, pois exclui a parcela pobre da sociedade e causa abandono social. Dessa forma, como o Brasil é um país onde existe grande desigualdade, significativa parte da população não tem condições financeiras para ter acesso a computadores, celulares e outros meios tecnológicos. Esse problema traz como consequência o extenso número de analfabetos digitais ainda existente no país, pessoas que são incapazes de lidar, entender e utilizar as informações apresentadas por computadores e, consequentemente, são privadas de acompanhar o desenvolvimento mundial. Portanto, a inclusão social precisa ser vista como prioridade no país.
A posteori, o pedagogo Paulo Freire classificou a educação brasileira como bancária, onde o aluno é apenas um receptáculo para o conhecimento advindo do professor e a criticidade não é estimulada. Esse modelo se torna um risco para a sociedade, uma vez que forma outro tipo de analfabeto digital, aquele que sabe utilizar os aparelhos tecnológicos, as redes sociais e as plataformas de pesquisa, mas são passivos e, portanto, incapazes de selecionar as informações que receberão das redes ou as que compartilharão com seus amigos e familiares. Esse perfil de internáuta estimula a criação e disseminação das chamadas “fake news”: notícias falsas veículadas com o intuíto de difamar alguém ou disseminar ódio, problemática que vem crescendo nos últimos anos no país e tem dificultado a utilização da rede como fonte de conhecimento.
Portanto, com o intuito de diminuir as taxas de analfabetismo digital no Brasil, faz-se necessário que o Estado auxilie a parcela pobre da população, por meio da criação de centros públicos de informática onde professores estejam disponíveis para ensinar o uso das tecnologias. Além disso, é preciso que os centros educacionais exercitem a criticidade dos seus alunos, por intermédio de atividades em que sejam incentivados a pesquisar as fontes de notícias veículadas na internet e a interpretar as informações presentes em textos escolhidos pelos educadores. Dessa forma, a Revolução Técnico-Científica será democratizada e a globalização deixará de ser excludente.