A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 20/03/2021

Com uma análise histórica contemporânea, Yuval Noah Harari, em seu livro 21 lições para o século 21, revela a necessidade da autonomia digital para a protagonização do indivíduo na sociedade atual. Nesse sentido, a ausência de uma educação voltada para o campo virtual nas escolas brasileiras gera o analfabetismo digital e inunda a sociedade de indivíduos alienados, o que leva a um solapamento da democracia no Brasil. Por isso, devem ser abertas discussões no país sobre o tema.

Nesse sentido, parafraseando o filósofo Sartre, o ser humano nasce alienado, vazio: um “ser em si”, sem nenhum sentido transcendente. Nessa perspectiva, o significado humano só pode ser construído por meio da autonomia e da consciência dos fenômenos mundanos, as quais provêm da educação. Desse modo, a alienação na internet, decorrente da escassa educação sobre este meio, cria uma bolha sociocultural de indivíduos que se tornam deuteragonistas do processo de construção dos próprios valores, interesses e convicções, apesar de eles não estarem cientes disso.

Sob este viés, os pensadores da Escola de Frankfurt, Adorno e Horkheimer, revelam o objetivo da Indústria Cultural: expor conteúdos direcionados e selecionados para tornar as massas homogêneas, logo, facilmente manipuláveis. No campo digital, a falta de conscientização dos indivíduos os leva a serem alvos fáceis de homogeneização por esses mecanismos. Assim, a efetivação da democracia na sociedade brasileira é inviabilizada, pois, diante de um contexto em que até mesmo opiniões, pessoas e valores são massificados pela Indústria Cultural e pelos algoritmos digitais, não é possível apreender os verdadeiros interesses da população.

Portanto, é imperativo que o MEC(Ministério de Educação) promova a conscientização dos jovens nas escolas a respeito das formas de manipulação cibernética. Tal necessidade precisa ser efetivada, por meio da implementação da modalidade de ensino “educação tecnológica” na Base Curricular Comum. Assim, uma ampla gama de jovens será capacitada para o uso consciente e responsável da internet, de maneira a instigar o pensamento não uniformizado, essencial à democracia.  em espaços públicos de livre uso para qualquer classe social, tendo a finalidade de diminuir as consequências do analfabetismo digital