A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 04/03/2021

De acordo com o filósofo Pierre Lévy, o surgimento de novas tecnologias ocasiona a exclusão dos indivíduos que não as utilizam. Diante disso, é fato que o âmbito digital brasileiro também proporciona questões negativas para os analfabetos desse meio. Nesse sentido, a problemática supracitada gera perigos provenientes da desinformação e provoca a segregação dos iletrados virtuais.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a falta de educação digital origina inúmeros malefícios. A esse respeito, no documentário “O dilema das redes”, são apresentadas as consequências nocivas do uso inadequado da esfera informacional. De modo paralelo, os analfabetos cibernéticos do Brasil sofrem devido ao desconhecimento das ferramentas necessárias para a aplicação segura desse setor, uma vez que a escassez de instrução promove o aumento dos crimes computacionais, da manipulação do usuário e da disseminação de notícias falsas. Sendo assim, constata-se a premência de ensinar a população com dificuldades na área em foco.

Ademais, a ausência de letramento cibernético viabiliza a exclusão dos grupos afetados em relação a essa deficiência educacional. Nesse contexto, no livro “A velhice”, escrito por Simone de Beauvoir, é retratada a invisibilidade social dos indivíduos que são considerados inúteis. Sob esse viés, a carência na formação digital segrega os cidadãos, visto que o déficit supramencionado impossibilita a inclusão dessas pessoas na sociedade hodierna, cuja base está associada à utilização de inovações tecnológicas. Dessa forma, fica evidente a importância de elevar a instrução informacional, a fim de atenuar a marginalização dos iletrados virtuais.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Com a finalidade de extinguir as questões negativas relacionadas ao analfabetismo digital no Brasil, urge que o Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais e de uma reforma na Base Nacional Comum Curricular, realize um projeto amplo que disponibilize locais, docentes e materiais para proporcionar uma formação virtual desde o ensino básico, além de possibilitar a disseminação de conhecimentos computacionais direcionados a adultos, idosos e grupos vulneráveis. Somente assim, será possível evitar a exclusão prevista por Pierre Lévy.