A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 07/03/2021
Na década de 1960, no contexto da guerra fria, houve a criação da internet. Nos anos 90, sua comercialização tornou-se legal. Desde então, houve uma expressiva revolução - dentro dos meios de produção, comunicação e informação - a qual ocorreu em um espaço relativamente curto de tempo. Por não ter um conjunto de regras unificado, a internet trouxe consigo uma liberdade que, talvez, os internautas não estivessem preparados para ter, levando a uma possível epidemia de analfabetismo digital. Por isso, torna-se válido avaliar as causas desse problema bem como seus impactos na sociedade brasileira.
Dados apontam que cerca de 30% da população brasileira não possui a capacidade de ler e interpretar textos simples. Isso, somado ao advento da internet, torna inevitável o uso irresponsável da mesma. Como as taxas de analfabetismo funcional são altíssimas, o entendimento do mundo por meio de mensagens instantâneas - por serem, na maioria das vezes, mais simples e sensacionalistas - torna-se muito mais atraente ao público geral. Com isso, a súbita popularização da internet gerou um grande problema ao igualar, em autoridade, um especialista em algum assunto e um internauta comum.
Ao diminuir as distâncias, por meio da globalização, a internet uniu pessoas que acreditavam em ideias tolas, unindo-as e gerando uma sensação de pertencimento à um grupo. Essa coesão levou á acontecimentos recentes, como a invasão do Capitólio estadunidense, e á movimentos anti-democráticos aqui no Brasil - como as manifestações pedindo a volta do regime militar e do AI-5. Esse mau uso das mídias sociais enfraquece a democracia mundial e credibiliza as estratégias de populismo utilizadas por governantes.
Em virtude dos fatos mencionados, pode-se afirmar que tal situação poderia ser amenizada através de programas governamentais que incentivassem o consumo de notícias e fatos através de jornais sérios em detrimento dos grupos de WhatsApp. Além de alterações profundas no ensino público, como a priorização da compreensão textual, aliado ao incentivo da leitura e á criação de matérias que direcionam os alunos para o uso correto da internet. Associada também a um estudo mais humano e sociológico da história, através do qual os alertassem dos perigos que movimentos ditos como “revolucionários” trazem para o estado democrático de direito. Tais ajustes contribuiriam para a construção de uma sociedade menos alienada, mais compreensiva e com senso crítico mais desenvolvido.