A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 04/03/2021

O autor Marshall McLuhan, em 1967, criou o conceito de “aldeia global”, prevendo a digitalização que acontece no presente. No Brasil, todavia, esse processo trouxe a questão dos chamados analfabetos digitais, que tem como raiz a rápida e desordenada transição para o ambiente virtual das relações e atividades sociais. Essas, assim, sofrem uma severa precarização, o que pode causar efeitos bastante graves.

Em primeira análise, como diz Pierre Levy em “Cibercultura”, o ambiente cibernétivo põe-se para as pessoas de maneira desigual. Serviços basilares como bancos e comunicação agora se dão em celulares e de maneira muito mais rápida. O problema é que, sob grandes promessas de praticidade, os provedores não se responsabilizam pela mera tarefa de ensinar a usar os serviços que criam, algo simples e de suma importância.

Dessa maneira, mesmo aqueles que, conforme conceitua Milton Santos, são marginalizados usam os serviços por necessidade, mas sem o pleno conhecimento de que precisam. É como se uma pessoa dirigisse sem a carteira de habilitação. Os efeitos são trágicos e geram, por exemplo, as conhecidas “fake news”, muitas vezes de maneira involuntária, embora possa chegar a ser devastadora.

À vista do exposto, propõe-se que o Poder Legislativo federal obrigue  por meio de lei as empresas que produzem eletrônicos, além das que fazem “softwares” e aplicativos, a só permitir o uso dos referidos serviços após o fornecimento, pelas companhias, de detalhadas instruções sobre o uso de seus produtos. Além disso, também é importante que se obrigue a disponibilização de pessoas para tirar dúvidas 24h por dia. A medida, ao proporcionar a devida capacitação, em especial a um público bastante carente, irá reduzir a carga de precarização presente no ambiente virtual, bem como mitigará os efeitos danosos efeitos disso. Assim, acontecerá uma desmarginalização das pessoas que hoje são tidas como analfabetos digitais.