A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 05/03/2021

É inegável que a tecnologia vem apresentando cada vez mais influência no mundo contemporâneo, assim como afirmou o falecido Steve Jobs, fundador da Apple. Porém, no cenário brasileiro não é possível observar na prática tal perspectiva, tendo em vista que o analfabetismo digital é algo recorrente no país. Portanto, são necessárias medidas para conter o avanço deste problema, que se agrava tanto pela disparidade econômica, quanto pela falta de formação no âmbito educacional.

De acordo com o coeficiente Gini, medida que calcula a desigualdade e distribuição de renda em um país, o Brasil é o 8º país mais desigual do mundo, tal informação expõe que muitas pessoas não possuem afinidade com o ambiente virtual por não terem condições ou oportunidades de acesso ao mesmo. Ademais, o IBGE aponta que 25% da população brasileira não possui acesso à internet, fator que demonstra como a disparidade econômica impede a acessibilidade ao ciberespaço por uma parcela da população, agravando assim esse entrave.

De maneira análoga, é importante destacar a falta de formação no ambiente escolar como um dos fatores que contribuem para a persistência do problema no território nacional. Assim como atesta Roger Chartier, a tecnologia na escola deve facilitar a intervenção do poder público na formação da sociedade, ideal que não é alcançado por conta do despreparo das instituições em ofertar ferramentas para que os estudantes possam dominar o espaço cibernético. Dessa maneira, enquanto não forem adotadas metodologias eficazes no ambiente escolar para preparar adequadamente seus discentes, a questão do analfabetismo irá se manter.

Portanto, se faz necessário adotar medidas para reduzir o analfabetismo digital em todo o território brasileiro. Para isso, o governo deve investir em regiões economicamente mais necessitadas, para proporcionar o acesso igualitário aos recursos tecnológicos. Além disso, cabe ao Ministério da educação, através do amplo debate entre estado, professores e famílias introduzir novas maneiras funcionais no ambiente educacional para, consequentemente, alfabetizar a população no que tange a tecnologia do país. Feito isto, o Brasil poderá gradativamente transformar os dados expostos pelo índice de Gini e IBGE.