A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/03/2021

De acordo com o criador da Apple, Steve Jobes, “a tecnologia move o mundo”. No entanto, mesmo diante de um cotidiano permeado por tal força motriz, muitos brasileiros ainda se encontram alheios a essa tão importante ferramenta do mundo contemporâneo, sem saber como a utilizar, configurando-se como analfabetos digitais. Desse modo, faz-se necessário discutir sobre como o subdesenvolvimento e as falhas no sitema educacional do Brasil contribuem para a perpetuação desse tipo de analfabetismo.

É importante entender, de início, que o subdesenvolvimento brasileiro tem conduzido o país a uma realidade permeada pela desigualdade no acesso a tecnologia e um consequente aprofundamento do analfabetismo digital. Isso se deve ao fato de que, diante da crescente disparidade econônima no Brasil, muitos indivíduos vivenciam uma realidade social em que a internet e aparatos tecnológicos são coisas com as quais eles não conseguem arcar financeiramente, caso queiram suprir suas necessidades básicas. Dessa forma, num país que é considerado o 7° mais desigual do mundo, segundo a ONU, o acesso ao mundo digital é mais um dos fatores que aumenta esse abismo social, submetendo mais de 40 milhões de indivíduos a uma realidade sem internet, os quais são excluídos digitalmente, não sendo capazes de se alfabetizar em algo que está muito distante da realidade por eles vivenciada.

Além disso, percebe-se que as falhas no sistema educacional brasileiro expõem aqueles que têm acesso ao mundo digital a uma vivência acrítica, aceitando como verdade tudo que lhes é apresentado, fazendo com que os quais também sejam considerados analfabetos no contexto tecnológico, por não saberem usufruir de tal ferramenta a seu favor. Isso acontece devido a forma com que a educação tem sido feita no país, a qual, assim como afirmou o pedagogo Paulo Freire, apenas deposita conteúdos nas mentes dos alunos sem aplicá-los à realidade na qual eles estão inseridos, os quais, no contexto digital, se configuram como analfabetos. Com isso, muitos são expostos ao mundo digital de forma desprotegida, sendo mais facilmente manipulados e atingidos por crimes cibernéticos, pois, assim como afirmou o intelectual Florestan Fernandes, aqueles que não possuem capacidade de pensar de forma crítica se submetem a ferramentas de manipulação que tolhem sua liberdade.

Portanto, diante desse contexto, urge que o poder público, mais especificamente o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, se mobilize a favor da alfabetização digital, minimizando os fatores que têm impedido tal avanço. Tal iniciativa ocorrerá por meio da criação de um Projeto Nacional de Combate ao Analfabetismo Digital, o qual coordenará uma destribuição equitária de recursos que visem o acesso ao mundo digital daqueles que ainda não o possuem e a promoção de palestras para os profissionais da área da educação sobre a necessidade da