A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 05/03/2021
Segundo o filósofo germânico Georg Hegel, o pensamento social evolui com o decorrer da história, dado que a sociedade passa a adotar ideias coletivistas com o intuito de se tornar mais inclusiva e garantir a qualidade de vida para todas as camadas da nação. Entretanto, a questão do analfabetismo digital no Brasil reflete a predominância do pensamento individualista por parte das instituições de ensino e do Estado, o que, para Hegel, indica um retrocesso.
A priori, é importante destacar que, de acordo com os iluministas Diderot e D’Alambert, autores da “Enciclopédia”, a democratização da educação é fundamental no combate à alienação dos cidadãos, garantindo a eles sua efetiva liberdade. Relacionando esse pensamento à atualidade, é possível afirmar que o analfabetismo digital é uma barreira que impede o corpo social de alcançar sua emancipação e isso é acentuado pela ausência, nas instituições de ensino brasileiras, de uma educação voltada para a aprendizagem do uso da internet de forma adequada. Por causa disso, muitos indivíduos não sabem diferenciar notícias falsas das verdadeiras e, por isso, compartilham-as, despreocupadamente, em suas mídias sociais, o que pode prejudicar pessoas de forma grave e até interferir no resultado de uma eleição política. Outrossim, saber usar o meio digital com sabdoria é fundamental para se adquirir informações, conhecer sobre outras culturas e vivências.
A posteriori, é fulcral expor que, segundo Émile Durkheim, sociólogo francês, os fatos sociais podem ser normais ou patológicos. Seguindo essa linha de raciocínio, observa-se que um ambiente patológico em crise, rompe com a harmonia social, visto que um sistema corrompido não favorece o progresso coletivo. Dessa forma, por causa da negligência do Estado, a sociedade brasileira ainda precisa enfrentar, não só o analfabetismo funcional, como, também, o digital. Essa problemática ainda ocorre, principalemente, por causa da falta de acesso adequado à internet em algumas regiões do Brasil e, também, por conta do abismo social e da má distribuição de renda, os quais impedem a população mais pobre de possuir condições plenas de adquirir meios tecnológicos que possibilitem o acesso a ao ambiente virtual, tão importante atualmente, e de poder aprender a usá-la com sabedoria.
Portanto, é essencial que o Estado, junto ao Ministério da Educação, garantam medidas que visem à diminuição do analfabetismo digital no Brasil, como a instalação de ferramentas digitais, como computadores e tablets nas instituições de ensino de ensino públicas, fornecimento de internet de qualidade, assim como, também, a contratação de educadores formados na área da computação e mídias sociais, a fim de ensinarem desde cedo aos estudantes sobre como usar o meio virtual de forma consciente e, dessa forma, evitar que se tornem analfabetos tecnológicos.