A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 06/03/2021

Na obra literária “Os meios de comunicação como extensões do homem”, Marshall McLuhan aborda, ainda no século XX, a relação intrínseca do homem com os aparatos tecnológicos e aponta que esses funcionam como extensões das capacidades humanas. Com efeito, podem moldar e transformar a sociedade e as formas de comunicação e, desse modo, cabe ao homem saber gerenciá-los. Entretanto, diferentemente do esperado por MecLuhan, nota-se que a questão do analfabetismo digital no Brasil revela a falta de preparo do indivíduo frente aos avanços tecnológicos no século XXI. Assim, é fundamental entender o que motiva a perpetuação dessa conjuntura, bem como seus efeitos no país.

Observa-se, de início, que a ausência de formação educacional digital motiva o analfabetismo nesse meio e propicia a exclusão de pessoas que não conseguem gerenciar os mecanismos tecnológicos. Essa questão acontece devido à estratégia de subdesenvolvimento adotada pelo Brasil, que segundo Celso Furtado, economista brasileiro, trata-se de um projeto, e não de um processo. Dessa forma, os governantes, ao visarem apenas atender a demenda externa por mão de obra, acabam não priorizando a educação digital desde a base. Logo, há uma educação ainda ligada a aspectos tradicionais associados à situação de subdesenvolvimento do país, fato que limita as possibilidades da tecnologia oferecidas à sociedade e que revela a ingenuidade humana perante o digital.

Além disso, é cabível destacar que o analfabetismo digital repercute no desenvolvimento social do Brasil, pois a carência de senso crítico contribui para a disseminação de desinformação. Isso ocorre porque a ideia da pós-verdade predomina na sociedade atual e de acordo com o Dicionário Oxford  “os fatos objetivos são menos influenciadores na formação da opinião pública do que apelos à emoção ou à crença pessoal”. Nesse contexto, a verdade é estabelecida a partir de opiniões, ao invés de fatos, e a população, infelizmente, acredita. Prova disso está na disparidade do analfabetismo digital de países como o Brasil, que segundo o ranking da The Economist ocupa o 4° lugar no quesito confiabilidade em informações noticiadas em redes sociais, e a Suécia, que ocupa o 62° lugar.

Portanto, diante desse cenário de ignorância digital, é imprescindível que o Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Educação, promova o desenvolvimento crítico da sociedade. Tal ação deve ocorrer por meio da implementação de um Projeto Nacional de incentivo à educação digital, o qual ensinará a população a usar os mecanismos tecnológicos de forma eficiente. Essa iniciativa será feita, a fim de sanar o problema do analfabetismo digital no Brasil. Afinal, é chegada a hora que os aparatos de comunicação mencionadas por MecLuhan, sejam não somente extensões de aprimoramento das capacidades humanas, mas também mecanismos bem administrados pelo homem.