A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 06/03/2021
O conceito de “analfabeto digital” surgiu em 1997 com o jornalista Gilberto Dimenstein em uma reportagem à Folha de São Paulo e é caracterizado como “despreparo para lidar com os computadores e, muito menos, com suas redes de informação”. Tal conceito, mesmo estabelecido há mais de duas décadas, é muito atual e tem sido cada vez mais debatido na sociedade por conta dos problemas que ele causa como, por exemplo, disseminação de vírus e a vulnerabilidade a “cibercrimes”. A partir desse contexto, é fundamental entender as raízes do analfabetismo digital e possíveis medidas para seu combate.
É valido pontuar, primeiramente, que uma das origens da questão do analfabetismo digital no Brasil é a falta de acesso à internet. Segundo uma pesquisa do portal de notícias “G1”, nas classes D e E, as quais concentram a maior parte da população brasileira, apenas 48% das pessoas têm acesso à internet e 23% detém acesso pleno, isto é, conseguem acesso a qualquer hora. Com isso, boa parte da população não desenvolve familiaridade com o ambiente digital, o que leva a uma não adaptação ao uso da ferramenta e, consequentemente, eleva a taxa de analfabetismo digital no país.
Observa-se, ainda, que mesmo os mais jovens, os quais já nasceram na “era smart”, por não ter orientação adequada nos primeiros contatos com a tecnologia, também podem ser considerados uma das raízes do analfabetismo digital no Brasil. Para o psicólogo suíço J. Piaget, o aprendizado depende do nível de desenvolvimento do indivíduo, ou seja, não adianta tentar ensinar algo que as suas estruturas cognitivas não podem absorver. Dessa maneira, não há como esperar que crianças saibam discernir o certo e errado no meio digital e, caso não sejam instruídas ao longo do tempo, podem crescer e perpetuar maus hábitos que se caracterizam como analfabetismo digital.
Fica clara, portanto, a necessidade de intervenções que solucionem a questão do analfabetismo digital no Brasil. Por isso, o Ministério da Ciência e Tecnologia, pela função de incentivar o desenvolvimento tecnológico do país, deve garantir às classes D e E o acesso aos meios digitais. Tal medida será feita por meio do oferecimento de um notebook e um ponto de fibra ótica para toda residência de família beneficiária de programas sociais como Bolsa Família, por exemplo, visando aumentar o contato da população mais carente com a tecnologia e, dessa forma, conseguir mitigar o analfabetismo digital. Além disso, o Ministério da Educação deve incluir na matriz curricular brasileira o oferecimento de educação digital do ensino fundamental até o nível superior – respeitando as faculdades mentais de cada idade - para que, com isso, seja formada uma geração digitalmente consciente e, assim, diminuir o analfabetismo digital no Brasil.