A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 07/03/2021
A Revolução Técnico-Científica, que ocorreu na segunda metade do século XX, foi um marco para a expanção de tecnologias avançadas pelo mundo. Essas possuem a importante função de transmitir informações e diminuir as distâncias nas interações sociais. Na realidade brasileira, por outro lado, o acesso a essas inteligências artifícias é dificultado pelo analfabetismo digital presente na sociedade. Esse entrave é motivado pela desigualdade socio-econômica, além da falta de um conhecimento acerca do meio digital.
Em primeira análise, um dos principais fatores que contribuem para o analfabetismo digital no Brasil é a desigualdade socio-econômica. Como exemplo disso, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, cerca de 22% das residências do país não possuem acesso à internet por conta de dificuldades financeiras. Em tais circunstâncias, há um impedimento de grupos em vulnerabilidade econômica na adaptação aos meios digitais, visto que esses não possuem o mínimo contato com a internet ou aparelhos de mídias sociais relacionados a esse meio. Essa situação implica, diretamente, na democratização do ambiente virtual e, consequentemente, no aumento do analfabetismo digital.
Em segunda análise, a ausência de um conhecimento acerca do meio digital é outro fator que contribui para o analfabetismo presente no âmbito virtual. Segundo o sociólogo e educador brasileiro Paulo Freire, a educação é o principal meio de conscientização social, capaz de gerar questionamentos sobre o que circunda o indivíduo. Nesse sentido, é notória a importância de uma educação digital que integre e proporcione os conhecimentos básicos da esfera virtual aos cidadãos. Entretanto, grande parte da sociedade brasileira não possui um ensino que possibilite conhecimentos acerca do meio digital, o que leva o indivíduo a desinformação e, consequentemente, ao analfabetismo.
Logo, torna-se necessária a participação do Poder Público para reverter o analfabetismo digital no Brasil. Inicialmente, o Ministério da Economia, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social, deve promover programas que auxilíem a parcela em vulnerabilidade socio-econômica, com a criação de políticas públicas que englobem esses grupos e os dê acesso à meios de comunicação, como computadores e smartphones, com o intuito de dimininuir as segregações sociais e democratizar o acesso ao meio virtual. Além disso, o Ministério da Educação deve realizar projetos que contribuam para educação digital dos cidadãos, com uma reforma na Base Nacional Comum Curricular, integrando aulas sobre internet e mídias sociais desde o ensino fundamental, assim como disponibilizar cursos sobre o mesmo assunto aos cidadãos, com vistas a proporcionar um conhecimento digital a todos.