A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/03/2021

“A tecnologia move o mundo”, disse Steve Jobs, criador da Apple, ao ser questionado sobre a influência da tecnologia na sociedade. No entanto, o mundo citado por Jobs configura um conceito amploa apenas quando se trata de território, mas exclui boa parte da população que vive nele, uma vez que ainda existem pessoas que são ignorantes quanto aos avanços digitais e seus funcionamentos. Por isso, faz-se necessário analisar a questão do analfabetismo digital no Brasil.

Em primeiro plano, é importante entender a desigualdade brasileira e as suas contribuições para a problemática supracitada, já que, como diz o estudo TIC domicílios: 95% da população da classe A tem acesso à internet, enquanto apenas 57% das classes D e E possuem esse direito. Logo, a dificuldade da alfabetização digital também está ligada ao fato de comunidades mais pobres não conhecerem a internet e suas múltiplas funções, já que não têm contato com ela, encontrando-se, dessa forma, à parte do mundo movido pela tecnologia. Assim, é possível ver uma questão de falta de políticas públicas voltadas à garantia de internet e, junto a isso, a garantia de educação digital a todos os cidadãos.

Em segundo plano, existe também a camada da sociedade que, apesar de possuir acesso à internet e a aparelhos tecnológicos, não tem instrução para utilizá-los. De acordo com o PISA (Programa Internacional de Avaliação dos Alunos), aproximadamente 20% dos alunos não ultilizavam os computadores do colégio em que estudam. Tal dado mostra a falta de educação digital nas escolas, que, ao invés de investir e influenciar programas tecnológicos, os quais são a base do mundo contemporâneo, acabam por ignorar essa necessidade.

Portanto, é importante que o Ministério da Educação inclua programas de incentivo tecnológico no Plano Nacional da Educação, além de colocar aulas didáticas sobre os avanços digitais e suas formas de uso na Base Nacional Comum Curricular, diminuindo assim a quantidade de estudantes que são analfabetos nesse meio e, consequentemente, formando futuros adultos preparados para quaisquer tecnologias. Além disso, também se faz necessário que a Secretaria Especial do Desenvolvimento Social crie um programa para levar internet às pessoas que não possuem, além de, por meio de políticas públicas voltadas à educação digital, trazer profissionais que as ensinem a utilizá-la de forma correta, ocasionando, desse modo, uma sociedade devidamente instruída quanto às questões tecnológicas.