A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/03/2021

Após a Revolução Industrial, a tecnologia começou a fazer parte do dia a dia das pessoas, sendo antes com máquinas a vapor e hoje com softwers. Nesse eixo, nota-se que, no Brasil, a presença dos meios digitais no cotidiano é muito forte, todavia ainda há uma pendência na questão do analfabeto digital, visto que não há um plano de inclusão e instrução aos que não estão imersos nessa área, bem como existem adversidades socioespaciais que, muitas vezes, atrapalham o acesso das regiões negligenciadas.

No livro do jornalista José Saramago, Ensaio sobre a cegueira, existe a metáfora da “cegueira branca” que é causada não por uma limitação fisiológica, mas sim por não enxergar a dificuldade, os problemas da sociedade. Essa metáfora é análoga à situação do poder público no tocante aos analfabetos digitais, uma vez que não há políticas públicas que assegurem o letramento do idoso, do professor que está em exercício, mas que não domina as ferramentas tecnológicas ou do jovem promissor, o que implica no exercício de qualquer função. A exemplo disso, no Brasil, o Exame Nacional do Ensino Médio de 2020 teve a novidade do ENEM digital, entretanto, de acordo com o Ministério da Educação, apenas cerca de 1,65% dos inscritos quiseram realizar a prova nessa modalidade, ou seja, isso é um reflexo da insegurança da sociedade inerente às novidades digitais, o que é grave. Com isso, é preciso que haja um plano que assista e instrua os que precisam aprender a manusear os objetos digitais.

Além disso, as discrepâncias regionais também são grandes promotoras das desigualdades, entre elas a da alfabetização tecnológica. Na obra Raízes do Brasil, o sociólogo Sergio Buarque de Holanda ressalta as diferenças socioespaciais do Brasil, as quais geram diferença nas oportunidades, no desenvolvimento e na qualidade de vida. Isso acontece, de maneira muito perceptível, nas regiões mais negligenciadas do país, já que, para muitos o acesso a um celular ou um computador é uma situação muito utópica, irreal. No documentário Garapa, direção de José Padilha, é relatada a vida de famílias cearenses sem renda que não utilizam energia elétrica, muito menos ferramentas digitais, isto é, o analfabetismo digital é, infelizmente, uma consequência do descaso, atacando a dignidade humana.

Por fim, é necessário que haja ensino para o iletrado digital no Brasil. Assim, o Estado deve dar oportunidade a essa parcela da população, por meio de ações públicas de inclusão e alfabetização, como a criação de um plano de assistência tecnológica, a fim de minimizar a insegurança da sociedade em razão da modernidade. Ademais, o Poder Público deve diminuir essa disparidade regional no país, por intermédio de investimentos em estruturas computacionais, como cursos grátis de manuseio eletrônico, a fim de garantir a dignidade humana de todos.