A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 08/03/2021

O uso de tecnologias na Educação de Jovens e Adultos (EJA), no Brasil, ainda é escasso nos campos teóricos educacionais. De maneira que, a população brasileira ainda discute a problemática do analfabetismo funcional, enquanto outros países como, por exemplo, a Cingapura e a Coreia do Sul, preocupam-se no combate ao analfabetismo digital. Portanto, torna-se evidente, a necessidade de compreender e discutir fatores como, o baixo investimento na inserção do uso de recursos digitais nas instituições de ensino, junto à lógica do determinismo tecnológico , que contribuem para o alicerce do analfabetismo digital no Brasil.

Em primeira análise, na sociedade hodierna, o processo de inclusão social integra também a inclusão digital, e esta é, hoje, condição essencial para a inserção no mercado de trabalho e nas relações sociais. De modo que, a precariedade de investimentos tecnológicos nas escolas brasileiras afeta o desenvolvimento de relações sociais e aprendizagem dos estudantes visando o mercado trabalhista contemporâneo. Tornando, assim, o debate sobre aspectos não somente estruturais e organizacionais, mas, sobretudo a discussão também de aspectos políticos e sociais, que influenciam de forma clara e profunda as possibilidades e perspectivas dessa área nas relações educacionais, profissionais e humanas.

Em segundo plano, o filósofo e educador brasileiro, Paulo Freire, afirma que “a história é tempo de possibilidades e não de determinismos”. De modo que, relacionada à ótica do filósofo, a ideia de que os recursos tecnológicos por eles mesmos, são capazes de formar o indivíduo e prepará-lo devidamente às atividades que deverá cumprir no trabalho e em outros ambientes, torna-se errônea. Assim, é o homem, e não a máquina, que devem estar no centro do processo, pois ao contrário, estaria promovendo as máquinas a uma função absoluta, destituindo o ser humano de suas obrigações e responsabilidades.

Conforme diz Newton, um corpo tende a permanecer em seu estado até que uma força atue sobre ele. Desse modo, a aplicação de força suficiente contra o percurso do analfabetismo digital no Brasil é imprescindível e um caminho para combatê-lo. Diante disso, é imprescindível que o Governo Federal instaure um Decreto Federativo que estabeleça um Programa Nacional Contra o Analfabetismo Digital, que tenha o intuito de erradicar essa situação de deficit educacional no país, sendo que, entre as diretrizes desse programa, devem se destacar a criação de um Fundo de Financiamento Nacional, que tenha o intuito de inserir recursos digitais e investimentos em capacitação técnica nas instituições de ensino, visando uma máxima integração de sistemas.