A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 07/03/2021

Um personagem decidido a romper o processo de alienação que compromete o entendimento popular acerca dos entraves que dificultam a vida em sociedade. É isso o que se vê na canção “Zé do caroço”, interpretada pelo cantor Seu Jorge. Tal comportamento engajado pode servir de inspiração para o enfrentamento dos impasses existentes na realidade, uma vez que a adoção de uma postura semelhante pode permitir a resolução, por exemplo, do analfabetismo digital no Brasil. Nesse prisma, é interessante avaliar essa questão no país.

De antemão, nota-se a ausência do Poder Público ao permitir esse analfabetismo. Isso porque há uma falha no processo de aplicação de leis, uma vez que falta assegurar o ordenamento jurídico que prevê , nas escolas, o letramento tecnolôgico do aluno pautado em princípios éticos, o que tem prejudicado a consolidação do direito a cidadania desses estudantes. Logo, vê-se que o Estado não tem cumprido o contrato social teorizado pelo filósofo John Locke, ao não garantir o bem-estar de todos.

Também, pontua-se que tolerar o esse analfabetismo é banalizar o mal. Porém, parte dos brasileiros tem se mostrado inerte diante da ausência de investimento financeiro estatal, visto que faltam verbas para criação e manutenção dos laboratórios de informática nas escolas, o que tem comprometido, por exemplo, a educação digital dos estudantes. Esse comportamento pode ser explicado através dos estudos realizados pela filósofa Hannah Arendt, os quais pontuam a massificação cultural como motivo pelo qual as pessoas estão perdendo a capacidade de distinguir o certo do errado.

Convém, portanto, ressaltar que o analfabetismo digital no Brasil deve ser combatido. Para isso, é necessário exigir do Estado, via debates em audiências públicas, a aplicação das leis vigentes, priorizando verbas, a partir do ministério competente, para garantir o letramento tecnolôgico dos alunos pautado em princípios éticos, com o objetivo de garantir o direito a cidadania de todos. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas organizadas por ONGs, sobre a importância de se adotar uma postura cidadã diante do analfabetismo digital, através do engajamento coletivo em prol do investimento financeiro estatal para criação e manutenção dos laboratórios de informática nas escolas. Dessa forma, o caráter alienado da canção de Seu Jorge se limitaria ao passado.