A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 30/03/2021

O empresário Steve Jobs, criador da Apple, afirmou que a tecnologia tem grande influência no mundo contemporâneo. Sob essa ótica, no contexto brasileiro, tal perspectiva não se faz presente,

uma vez que o analfabetismo digital, é uma problemática recorrente. Diante disso, faz-se necessário medidas interventivas para conter a questão, a qual é agravada devido não só a desigualdade socioeconômica, mas também, à falta de formação no âmbito educacional.

Em primeiro lugar, convém mencionar, o impacto da disparidade social no acesso da sociedade aos recursos digitais. Nesse sentido, de acordo com o Índice de Gini( medida que classifica o grau de desigualdade em um país) o Brasil está entre as 10 nações mais desiguais no mundo. Nessa lógica, essa cruel disparidade ,faz com que parcela da população não tenha familiaridade com o ciberespaço, o que resulta em uma impossibilidade de se adaptar ao uso dessa ferramenta. Dessa forma, parte do povo brasileiro, devido à sua condição social, é impedido de ter acesso à tecnologia, fato que consequentemente agrava esse entrave.

Outrossim, é imperativo destacar à falta de uma educação formadora, como um dos fatores que validam a persistência da problemática. Segundo Roger Chartier, grande historiador contemporâneo, “a escola deve funcionar de modo a ser uma parte em que o poder público intervem na formação da sociedade, inclusive no âmbito digital”. Entretanto, na realidade do Brasil, esse ideal não é concretizado, pois as instituições de ensino não ofertam uma formação para os alunos dominarem esses mecanismos tecnológicos. Desse modo, enquanto o ambiente escolar não preparar devidamente os seus discentes, o entrave do analfabetismo na seara da tecnologia, perdurará sobre o país.

Evidencia-se portanto, a necessidade de ações interventivas para minimizar o analfabetismo digital em todo o território brasileiro. Para tanto, o Governo deve investir em regiões menos favorecidas economicamente, para proporcionar condições igualitárias de acesso aos meios tecnológicos. Ademais, compete ao Ministério da Educação ( orgão responsável pelas políticas nacionais educativas) por meio do amplo debate entre Estado, professores, e famílias, introduzir novos métodos eficazes, e consequentemente promover a alfabetização do coletivo no tangente à tecnologia no país. Feito isso, o Brasil poderá gradativamente mudar o quadro exposto pelo Índice de Gini.