A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 18/03/2021

As primeiras décadas do século XXI, no Brasil e no mundo globalizado, foram marcadas pelo desenvolvimento de aparelhos tecnlógicos que possibilitaram uma exponencial integração da sociedade ao promover um novo meio de comunicação: a internet. Em contrapartida, na sociedade brasileira contemporânea, esse panorama de progresso não se instalou isento de desafios, visto que uma parcela da população se encontra marginalizada desse novo formato comunicativo. Desse modo, torna-se importante explicitar os principais impactos dessa crise: a exclusão de indivíduos das vantagens hodiernas e a vulnerabilização digital criada pela carência educacional.

Diante desse cenário, é imprescindível explicitar que a falta de instrução tecnológica para os indivíduos torna-os alheio dos avanços benéficos em todos os âmbitos do cotidiano. Isso é explicado ao analisarmos como essas mudanças inseriram-se no dia a dia popular, constituindo instituições monetárias, alimentícias e escolares. Como um exemplo, cabe frisar os atendimentos bancários atuais, digitalizados e feitos através de aplicativos celulares, poupando o tempo daqueles que os sabem utilizar do deslocamento até as sedes dos bancos. No entanto, como o grupo vítima da problemática discutida não apresenta a dominação dessas ferramentas, acaba refém das formas antigas -e pouco práticas- de resolução das tarefas do dia a dia. Logo, percebe-se que a ausência do ensino de manuseio da tecnologia danifica a possibilidade de evolução da realidade do cidadão desinformado, confirmando a teoria do filósofo Piérre Levy de que “Toda nova tecnologia cria seus excluídos”.

Além disso, desencadeada por essa carência de didática, a fragilização virtual apresenta-se como inevitável para o corpo social que desconhece as armadilhas das redes sociais. Nesse sentido, é importante dizer que os sites utilizados para socialização, como Facebook, Instagram e Twitter, apesar de apresentarem êxito em conectar pessoas de diferentes locais, também contam com seus malefícios, como os ataques virtuais de roubo de informações. Dessa forma, semelhantemente à Batalha de Stalingrado, na qual aconteceram mortes em massa de soldados alemães em território russo por desconhecerem as condições do local que se inseriram, também em desvantagem num ambiente possivelmente perigoso estão os leigos digitais.

Depreende-se, portanto, a urgência da resolução problemática. É mister que o Ministério da Educação, através de um projeto de lei entregue à câmara dos deputados, decrete como obrigatórias aulas sobre manuseamento desses artefatos técnicos. Ademias, as tais serão ministradas por profissionais técnicos e realizadas de modo teórico e prático, visando, assim, atenuar o analfabetismo “online”, bem como impedir que o território nacional continue colocando em prática a afirmação Levysiana.