A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 21/03/2021
Na obra cinematográfica “Pantera Negra”, do universo cinematográfico Marvel, é retratado o reino de “Wakanda”, em que a tecnologia é a maior aliada na vida da população. Em suas cenas, é possível ver como o mundo digital garante a proteção e a ampliação do conhecimento dos súditos. No entanto, o cenário apresentado nas telas de cinemas se torna utópico ao ser comparado com o Brasil, visto que a questão do analfabetismo digital no país é preocupante e merece uma intríseca análise.
Sob essa perspectiva, é imperativo pontuar a falta de informação no que tange o uso de meios tecnológicos. Com o advento da Terceira Revolução Industrial, nota-se uma sociedade mais dependente da tecnologia, todavia, inapta a usá-la, tornando esses indivíduos mais suscetíveis ao atraso no mercado de trabalho, devido a capacitação, por exemplo. É evidente o importante papel que a educação exerce sobre esses comportamentos, como também, a sua insuficiência. Apesar do constante contato com o universo digital, as crianças crescem sem saber discernir o certo e o errado nesse ambiente, sendo uma ação de responsabilidade das instituições de ensino. Portanto, é necessário readequar as bases educacionais através da tecnologia para formar indivíduos que saibam manusear tais aparelhos.
Outrossim, a falha na educação digital tem como consequência a limitada capacidade de escolha e questionamento do usuário. Esse efeito pode ser explicado pelo conceito de “Mortificação do Eu”, de Erving Goffman, que mostra como o comportamento alienado do cidadão é moldado devido a influências como o analfabetismo tecnológico. Tal princípio afirma que os fatores repressivos criam uma massa coletiva desprovida de pensamentos autônomos. Desse modo, esse grupo é induzido e manipulado pelo mau uso dos portais digitais, sofrendo por ação de “hackers”, “fake news” e divulgação de dados pessoais sem conhecimento prévio. Logo, é indispensável o desmantelamento de tal massa.
Depreende-se, portanto, a urgência de ações interventivas com o fito de amenizar a questão do despreparo tecnológico no Brasil. Para isso, o Poder Público deve investir na educação digital, por meio da destinação de verbas para a capacitação de profissionais e estudantes, a fim de reverter o cenário de desconhecimento digital que aflige o país. Tal ação pode, ainda, ser divulgada pelos portais midiáticos, como canais de TV e redes sociais, para que a população tome conhecimento. Simultaneamente, é preciso intervir sobre o controle da massa gerada por tal incompetência presente nesse cenário. Desse modo, o Brasil poderá desfrutar do estilo de vida de “Wakanda”, em que a ciência digital é usada corretamente.