A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 24/03/2021

Analfabetos digitais no Brasil

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê o direito a inclusão digital como inerente a qualquer cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se retumbado na prática quando se observa o analfabetismo digital no Brasil. Dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessas perspectivas, faz-se necessário a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a falta de conhecimento do uso da internet. Nesse sentido, é evidente que o direito a inclusão digital está sendo violando, em um mundo tão globalizado, pessoas estão sendo praticamente isoladas do resto da população com mais conhecimento no acesso a internet, aumentando a segregação social até mesmo nos meios digitais. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratuálista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de seu direito a inclusão digital, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental pontuar o alto custo da internet para as camadas mais pobres como um impulsionador do analfabetismo digital no Brasil. Segundo a Aliança Por Internet Acessível, 20% das pessoas mais pobres usam 8% de sua renda para comprar apenas 1GB, impossibilitando o uso da internet e o aprendizado em pleno século XXI. Diante de tal exposto, essa população precisa escolher entre comer e ser avistado por uma sociedade cada vez mais online, o que perpetua o analfabetismo digital. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.