A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 06/04/2021
“Mestrado é só pra mostrar que o sujeito é alfabetizado, pois a metade dos que estão na universidade não sabem ler”. As palavras de Darcy Ribeiro, antropólogo e sociólogo brasileiro, definem muito bem o analfabetismo funcional, por outro lado, conseguem também atempar, implicitamente, o analfabetismo digital no Brasil. A sua fala pode ser relacionada ao fato de grande parte dos brasileiros terem acesso a internet, mas metade apresenta dificuldades de manuseá-la, isto é, a grande quantidade de tecnologia lançada para as pessoas é apenas para elevar a popularidade do país, mas os criadores da rede deixam de lado a falta de competências digitais que os indivíduos apresentam. Portanto, essa analfabetização digital pertuba o conhecimento e conexões que pessoas poderiam ter através da internet, no entanto, o governo deve tomar providências no que se diz respeito a alfabetização digital da população brasileira.
Certamente, o Brasil têm crescido constantemente no que se refere ao acesso da internet, como mostram dados da pesquisa TIC Domicílios, do Comitê Gestor da Internet, na qual diz que 74% da população (acima de 10 anos) têm acesso à rede. Todavia, no quesito de alfabetização e manuseio do ciberespaço, a posição do país contrapõe toda a popularidade do Brasil referente a inclusão digital, estando em 66ª posição dentre 100 países, segundo o relatório “The Inclusive Internet Index 2019”.
Paralelo a isso, o analfabetismo digital pode trazer negativas consequências aos trabalhadores, pois diminui as opções de trabalho ou dificulta o acesso de um emprego de qualidade, visto que um dos quesitos para ser qualificado é saber manusear a internet. Além disso, esse tipo de analfabetismo agravou muitos problemas no período de pandemia, principalmente para a maioria dos professores, que não tinham um grande conhecimento sobre o meio digital e, portanto, não conseguiam se manter em sintonia com os estudantes.
Em sístese, a analfabetização do povo brasileiro agrava muitos problemas, tanto no meio social como profissional. Entretanto, a mudança poderia começar vindo das escolas e outros meios educacionais, pois sendo este um local de formação, deve apresentar também um desenvolvimento refente ao manuseio de meios técnológicos que ajudarão no futuro profissional dos alunos. Portanto, o Ministério de Educação poderia adicionar obrigatoriamente aulas de informática na grade curricular dos estudantes. Além disso, os criadores das redes poderiam adicionar explicações sobre cada informação presente na tela do celular, computador ou tablet. Assim a exclusão digital será vencida aos poucos.