A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 02/04/2021
Para Milton Santos, a globalização se impõe como perversa e excludente. Sob essa óptica, no contexto brasileiro, tal perspectiva se faz presente, uma vez que o analfabetismo digital é uma problemática recorrente. Diante disso, medidas interventivas são necessárias para conter a questão, que é agravada pela desigualdade econômica e pela falta de informação da população acerca do ciberespaço.
Com efeito, convém enfatizar o impacto da disparidade econômica no acesso aos recursos digitais. De acordo com o Índice de Gini, coeficiente medidor de desigualdade, principalmente de renda, o Brasil está entre os dez países mais desiguais do mundo. Assim, sem condições financeiras de adquirirem internet banda larga ou até mesmo aparelhos eletrônicos, uma grande parcela da população não é familiarizada com o ciberespaço, o que faz com esses não consigam acessar com mais facilidade informações e notícias e sejam excluídos socialmente, por exemplo. Dessa forma, o não acesso à tecnologia potencializa essa entrave.
Além disso, é imperativo discurtir sobre a falta de conhecimento da sociedade acerca do ambiente digital. Segundo o IBGE, 41% dos que não tem acesso à rede dizem que o motivo é não saberem utilizá-la. Nesse sentido, instituições sociais presentes na vida do homem, como a escola, não ensinam a comunidade a navegar adequadamente e de forma segura a internet, o que os protegeria de ataques virtuais, poupariam tempo e incluiriam socialmente essas pessoas no dia a dia, que fica cada vez mais tecnológico. Tal fato externa como a falta de suporte para com esse grupo é um grande fator para esse tipo de analfabetismo.
Depreende-se, portanto, o quão importante é minimizar o analfabetismo digital. Desse modo, faz-se necessário que o Governo, por meio de uma parceria com empresas privadas de banda larga, crie uma rede comunitária de internet em locais públicos, podendo essa ser usufruida pela população. Ademais, cabe ao Ministério da Educação criar a disciplina de educação digital no currículo escolar, fazendo com que a comunidade entre em contato com o ciberespaço e aprenda sobre o uso correto dessa tecnologia desde as séries iniciais. É assim que a globalização passará a ser mais inclusiva e igualitária no Brasil.