A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 02/04/2021

A guerra fria marcou um período de grandes avanços tecnológicos, entre eles, o surgimento da Internet, que na época era restrita, e só foi ganhar maior expansão e acessibilidade na década de 80 e 90. No entanto, até os dias atuais, no Brasil, nem todos conseguem ter acesso a essa tecnologia, por conta da disparidade social, e esse fato pode refletir no analfabetismo digital da população.

Essa relação entre a disparidade social e a falta de acessibilidade a tecnologias digitais, foi evidenciada, fortemente, nesse cenário que o mundo está vivenciando, a pandemia, por consequência ao coronavírus. Com o isolamento social, a Internet se mostrou um mecanismo muito importante para a adaptação nessa nova realidade. Contudo, nem todos os indivíduos da população brasileira conseguiram usufruir dessa tecnologia, em virtude da precária condição que vivenciam, principalmente, nas favelas. Essa falta de acessibilidade dificultou o aprendizado, trabalho, a comunicação e até mesmo o acesso à serviços públicos, e esse fato pode refletir na alienação dessa classe social em relação ao mundo digital e na falta de conhecimentos sobre como utilizar esse recurso.

De acordo com uma pesquisa do Comitê Gestor da Internet, realizada em 2019, 47 milhões de brasileiros não usam a Internet, e dentre esse número, a maioria está nas áreas urbanas e pertence às classes D e E. Com esse dado é possível enfatizar, novamente, o quanto as classes de baixa renda não apresentam condições de obter acesso a esses mecanismos, o que atrapalha em vários aspectos do dia a dia do ser humano. Certamente, com a inacessibilidade vem o analfabetismo digital, que é a impossibilidade de utilizar o mecanismo da Internet, por falta de conhecimento e condições.

Dessa forma, é possível concluir que, a falta de acessibilidade à Internet está totalmente ligada à desigualdade social, pela falta de recursos que as classes de baixa renda apresentam, além dessa situação influenciar fortemente no analfabetismo digital. Como solução, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações poderia investir na internet gratuita em toda sociedade, começando o investimento nas favelas, já que a Internet, segundo o reconhecimento da ONU de 2011, é um direito do ser humano, portanto, esse investimento se faz necessário, por conta de todas as dificuldades enfrentadas pelas classes baixas durante os últimos tempos. Com essa proposta, toda a sociedade teria a possibilidade de usufruir da Internet, e assim teriam maior conhecimento de como utilizar esse mecanismo essencial para sociedade atual.