A questão do analfabetismo digital no Brasil

Enviada em 13/04/2021

Para o sociólogo contemporâneo Z. Bauman, nenhuma sociedade que esquece a arte de questionar encontra as respostas aos problemas que a afligem. Esta compreensão é pertinente acerca do analfabetismo digital no Brasil, uma vez que a sociedade sofre reflexos de grande proporções ao negligenciar uma abordagem crítica a esse respeito. Nesse cenário, é imperativo o desenvolvimento de duas vertentes argumentativas que priorizem: projetos políticos de inclusão digital, bem como a falta de cidadania digital dos próprios cidadãos brasileiros. De início, as políticas sociais de inclusão digital merecem ser avaliadas por perspectivas mais críticas na atualidade em prol de não fadar ao olhar cultural de desprestígio. Assim, compactuar com o pensamento de Bauman, observa-se que o não questionamento dos valores distorcidos sobre analfabetismo digital colabora para baixo acesso a ferramentas tecnológicas que levam ao conhecimento. Acerca desse contexto, verificam-se motivações que perpassam a conduta social, em que se destacam a falta de recursos governamentais para investimentos em políticas públicas suficientes para inclusão computadores nos domicílios da população brasileira, pois ,segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ( IBGE), destacou que, em 2018, o celular era o único meio de acesso à internet em 45,5% dos domicílios do país. Logo, ignorar a importância de preços acessíveis de computadores para a solução do problema social é negligenciar a perspectiva reflexiva pelo sociólogo polonês. Outrossim, ausência ou busca do direito da cidadania digital configura mais uma visão a ser considerada nessa discussão. Evidentemente, compreender essa assertiva é validar o pensamento da socióloga Hanna Arendt, ao defender o direito à dignidade é princípio balizador da cidadania, já que, ao negligenciar-se em defender a cidadania digital por buscar seus direitos e exigir dos governantes políticas inclusão digital, o indivíduo não estará exercendo seu papel como cidadão. Em síntese, vê-se que a diminuição do analfabetismo digital depende de uma sociedade atuante na garantia de seus direitos e deveres. Depreende-se, portanto, a indispensabilidade de medidas transformadoras na mediação dos conflitos concernentes à questão. Para tanto, o governo federal - na representação específica do Ministério da Educação- deve difundir discussões sobre o estudo e inclusão do analfabeto digital, por meio de programas, investimentos e projetos de lei no sistema educacional brasileiro. Tal ideia estaria destinada ao fito a diminuir o número de pessoas que não tem acesso à tecnologia e à internet. Enfim, a aplicação de medidas nessa perspectiva será capaz de apontar melhores vivências, relacionadas ao analfabetismo das tecnologias, além de corroborar com certas respostas à crítica de Bauman à inércia social.