A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 13/04/2021
O mito da caverna, do filósofo grego Platão, é uma metáfora utilizada para descrever um grupo de pessoas que, desconhecendo sua própria situação, se limitavam a ver somente as projeções da realidade no fundo da caverna onde habitavam. Pode-se comparar esse mito com a alfabetização digital no Brasil, que se mostra totalmente precária. É possível notar que são necessárias medidas interventivas para conter essa problemática que vem sendo agravada pelo âmbito educacional e principalmente pela desigualdade socioeconômica.
De acordo com o novo estudo da multinacional CupoNation, para ter acesso a uma conexão média de 60 Mbps (ou mais), o brasileiro precisa pagar mensalmente uma média de R$ 114,15; considera-se conexões ilimitadas via cabo/ADSL. Colocando o valor lado a lado com o salário mínimo (R$ 1.039, IBGE), cerca de 10,99% do salário de um cidadão é utilizado para bancar despesas de conectividade. Sob essa ótica, a desigualdade social se faz muito presente. Mesmo que a pessoa quisesse ou tivesse capacidade, a situação econômica do país não favorece um domínio do ambiente digital, deixando as pessoas à margem do conhecimento e, portanto, analfabetas digitais.
Além disso, vale destacar a falta da introdução ao aprendizado digital nas escolas, visto que, segundo Roger Chartier, grande historiador contemporâneo, a escola deve funcionar de modo a ser uma ponte em que o poder público intervém na formação da sociedade, inclusive, no âmbito digital. A quantidade de escolas no Brasil que tem uma grade escolar que visa a tecnologia ainda é muito baixa, o que deixa esse modelo de aprendizado em segundo plano. Enquanto essa problemática não é resolvida, o número de analfabetos digitais no Brasil será cada vez mais recorrente.
Diante dos fatos apresentados, pode-se concluir que é indiscutível que de fato a questão da alfabetização digital no Brasil é preocupante, ela vem acompanhada da desigualdade socioeconômica e de uma lacuna educacional. Portanto, cabe ao governo e instituições privadas uma participação maior em investimentos em regiões menos favorecidas economicamente, proporcionando - pelo menos - condições básicas de meios tecnológicos. Cabe às bibliotecas e lugares públicos fornecer Wi-fi gratuito para que aqueles que não tem em casa possam usar. É de suma importância aumentar os investimentos na qualificação dos educadores e otimizar estruturas escolares para que estas atendam às necessidades dos alunos.