A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 13/04/2021
Segundo o cientista Albert Einsten, se tornou aparentemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu nossa humanidade. Sob esse viés, analisa-se que as revoluções tecnólogicas na sociedade hodierna não foram acompanhadas igualmente por todos os indivíduos. Dessa forma, a tecnologia ampliou as desigualdades já existentes que, por conseguinte, intensificou a marginalização das camadas mais baixas da sociedade. Isto posto, pode-se afirmar que emergiu, nesse cenário, a questão do analfabetismo digital, oriundo dos contrastes sociais, e causado pela falta de incentivos governamentais na educação infantil voltada para a área de conhecimentos tecnológicos e construção do pensamento.
Mormente, é necessário salientar que a concentração de tecnológias, junto com o maior porcentual de acessibilidade da população em relação elas, está diretamente relacionado com as divisões econômicas das regiões. Nesse contexto, pode-se citar Milton Santos, que dividiu o território nacional em quatro zonas a partir de critérios de acesso ao meio técnico-científico-informacional, ressaltando a exclusão digital de áreas menos industrializadas como Norte e nordeste. Desse modo, repercutiu-se atráves dos séculos, a concentração de renda e tecnológia nas capitais, como a região sudeste, intensificando as mazelas do analfabetismo digital em outras regiões, segregando o povo nativo em relação ao resto.
Ademais, outro fator que ampliou o problema em questão é o tradicionalismo e o descaso da instituição de educação pública frente ao despreparo dos alunos para lidar com as inovações que o mundo globalizado proporciona. Diante disso, para o filósofo Bordieu, o qual vê as instituições de ensino como os principais instrumentos de reprodução e legitimação das desigualdades sociais, a educação inverteu sua perspectiva democatrizadora e transformadora, perdendo sua funcionalidade principal. Além disso, não basta apenas o fornecimento do conhecimento para o indivíduo, é necessário, pois, criar mecanismos para que o cidadão consiga acessar o meio digital sem problematizações, que a escola lhe ofereça oportunidades de desenvolver habilidades que o auxiliem na manutenção do seu aprendizado técnico. Entretanto, tal realidade é ilusória, vista que o fornecimento de conhecimentos e educação está a merce do capital.
Logo, é necessário uma intervenção estatal para combater analfabetismo digital mencionado. Dessa forma, é dever do Ministério da educação (MEC) implementar no cúrriculo escolar básico uma matéria voltada para acessibilidade à tecnologia, por meio da mudança na Lei de Diretrizes e Bases. Mas também orientar, por meio de palestras e seminários, as populações locais de regiões mais periféricas, sobre o funcionamento das novas técnologias, promovendo cursos presenciais de graça. Assim, promoverá uma sociedade mais igualitária, diminuindo os níveis de analfabetismo digital da população.