A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 13/04/2021
A população brasileira não é Fabiano
O livro “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, acompanha a família de retirantes liderada por Fabiano, o pai da família. Em diversos momentos do livro, Fabiano diminui sua própria capacidade intelectual e acredita não ter necessidade de aprender coisas novas por precisar apenas trabalhar e sobreviver. Infelizmente esse é um sentimento comum entre muitos brasileiros atualmente, que por questões de formação populacional e social, além de desigualdade, acreditam não ter necessidade ou capacidade de se adequar ao mundo digital, gerando o fenômeno chamado Analfabetismo Digital.
Tendo em vista a divisão técnico-científico do Brasil proposta pelo professor Milton Santos, que adota o critério da concentração de infraestrutura informacional como redes de comunicação, fica claro que o polo tecnológico do Brasil se concentra nas regiões Sul e Sudeste, que o professor nomeia de Região Concentrada. Logo, com esse fato já é possível observar que há grande desigualdade de distribuição de infraestrutura técnico-informacional e científica para as demais regiões do Brasil, o que indubitavelmente contribui com o analfabetismo digital no Brasil.
Além disso, nunca houve uma campanha do governo para levar o conhecimento sobre aparatos digitais para a maior parte da população; na verdade, a maioria das pessoas aprendem sozinhas ou com ajuda de parentes. Ademais, levando em conta que até mesmo nas comunidades marginalizadas nos grandes polos tecnológicos do Brasil há profunda precariedade de distribuição de informação sobre as redes digitais e dos aparelhos em si, é inegável que a desinformação sobre tal assunto não é resultado apenas da má distribuição de aparelhos digitais, como também da falha do governo em informar a população sobre o assunto.
Em virtude dos fatos mencionados, é de extrema importância que o governo federal em conjunto do Ministério da Educação e a Secretaria Estadual da Educação dos estados brasileiros democratizem o acesso aos aparelhos digitais para as camadas mais necessitadas da população. Isso pode ser feito por meio de verbas voltadas à Educação para disponibilizar computadores nas escolas estaduais, além de campanhas e aulas que ensinem as pessoas de todas as idades a usar aparelhos digitais. É preciso deixar a população brasileira consciente de que não é Fabiano, e que todos têm a capacidade de aprender coisas novas, além da sobrevivência, mas sempre visando a independência intelectual.