A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 15/04/2021
Desde o movimento iluminista, no século XVIII, entende-se que uma sociedade apenas progride quando um se mobiliza com o problema do outro. Porém, ao observar a questão do analfabetismo digital no Brasil, constata-se que os ideais iluministas permanecem em plano teórico. De modo tal que, a ineficácia do Estado em relação ao problema e o difícil acesso ao mundo digital por grande parte da população mais pobre destacam- se. Dado este panorama, cabe analisar os fatores que corroboram para a problemática.
Primordialmente, vale destacar a deficiência do ensino público em relação ao contato dos alunos com plataformas digitais. Segundo os ideais de Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Entretanto, de maneira análoga aos pensamentos do filósofo grego, pode-se notar a falta de atenção do governo em relação ao problema, especialmente quando se observa como o ensino público é deficitário ao tentar aproximar os alunos das tecnologias presentes em nosso cotidiano. Devido isso, a falta de infraestrutura e investimentos do Estado rompem a harmonia proposta por Aristóteles. Logo, conclui-se que o governo é um dos culpados por esse obstáculo presente em nossa sociedade.
Ademais, o difícil acesso da população de baixa renda à tecnologia também impulsiona o analfabetismo digital. Segundo Jean-Jacques Rousseau, a máquina pública é responsável por garantir a igualdade de todos presentes na sociedade. Porém, ao observar o escasso acesso das pessoas à internet e aos aparelhos digitais, constata-se que os ideais de Rousseau não se afirmam na prática. Em razão do grande montante de impostos presentes em celulares, computadores e outros aparelhos, além do baixo salário mínimo e das condições precárias em que vivem, a população mais desprovida acaba por se afastar do meio digital. Dada essa perspectiva, é inadmissível que esse problema continue a perdurar.
Portanto, medidas precisam ser tomadas para a resolução deste empecilho. Visto isso, é mister que o Tribunal de Contas da União redirecione mais verbas para o investimento na inclusão digital por meio da obtenção de mais computadores nas escolas municipais e estaduais -preferencialmente em instituições de ensino que possuem mais alunos de baixa renda-, a fim de que a população mais carente seja inserida no meio digital. Somente assim, se consolidará uma sociedade mais justa e igualitária que esteja de acordo com os ideais iluministas.