A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 22/04/2021
“Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”. Os versos de Lulu Santos ilustram o incessante movimento do mundo e as suas mudanças. Entretanto, problemas, como o analfabetismo digital impedem essas transformações, em virtude, principalmente, da desigualdade social e da resistência ao uso de inovações. Dessa forma, são relevantes discussões sobre as causas e efeitos sociais da falta de acesso às tecnologias, em nome do desenvolvimento do país.
A princípio, é fato que o analfabetismo digital está diretamente relacionado aos abismos sociais brasileiros. Nesse contexto, parafraseando o filósofo Platão, o importante não é só viver, mas viver bem. Ao relacionar essa premissa à atual situação do Brasil, é possível compreender que o alto preço de aparatos tecnológicos e um acesso à internet desigual são capazes de impedir o bem-estar de uma grande parcela da população, ceifada de informações advindas desses meios. Posto isso, devido a essa exclusão digital, muitos indivíduos perdem oportunidades profissionais e permanecem alheios às inovações, de acordo com dados do Instituto Ipsos.
Outrossim, vale ressaltar, a resistência ao uso de inovações, principalmente por parte das pessoas mais velhas contribui para o analfabetismo digital. Nessa perspectiva, o psicanalista Antonio Quinet, em seu livro “Um olhar a mais”, defende que a sociedade contemporânea é mediada pelo olhar. Sob essa ótica, o analfabetismo digital no Brasil reflete um olhar negligente da sociedade sobre aqueles que não possuem conhecimentos sobre as novas tecnologias. Nesse sentido, a desigualdade social do país e a resistência de gerações anteriores aos anos 70 em aprender sobre as inovações potencializam essa questão. Assim, contribuindo para a falta de acesso à informação e falta de acesso aos privilégios que a tecnologia traz.
Depreende-se, portanto, que o analfabetismo digital é fruto da desigualdade social e da resistência ao uso de inovações. Dessa forma. faz-se imperioso que o Ministério da Educação promova palestras por meio de seminários on-line sobre a importância do uso da tecnologia e a praticidade que ela traz, com intuito de mitigar o analfabetismo digital e tornar a vida de muitas pessoas mais prática e para que o país possa voltar a evoluir