A questão do analfabetismo digital no Brasil
Enviada em 30/04/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Contudo, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a analfabetização digital no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da desigualdade socioeconômica, quanto da falta de formação no âmbito educacional. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação esteja entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a desigualdade socioeconômica rompe essa harmonia, haja vista que a partir das informações do Gini - medida que classifica o grau de discrepância no país – se encontra na lista das 10 nações mais desiguais no mundo. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que grande parte da população não é familiarizado com a internet, consequentemente existe uma incapacitação ao uso desses mecanismos. Logo faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a falta de uma educação competente como promotor do problema. De acordo com o historiador Roger Chartier, a escola deve funcionar como um elo onde o poder público induz na formação da sociedade, inclusive no espaço digital. Partindo desse pressuposto, a democratização da escrita não deve se tratar de uma desejo e sim uma obrigação, poque durante a formação do jovem não existe proposta para a dominação de ferramentas digitais. Assim, tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que enquanto o meio escolástico não contribuir para aprimorar a relação aluno-professor esse quadro deletério perdurará.
Assim, medidas possíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Portanto, com o intuito de mitigar o analfabetismo digital, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio de amplos debates entre Estado e membros da comunidade escolar, criem meios de introduzir novos métodos eficazes aos discentes através de discussões em salas de aula, formação no espaço digital e maior uso da tecnologia. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do analfabetismo digital no Brasil, e a coletividade alcançará a Utopia de More.